Sexta-feira, Março 30, 2012

As Górgonas....As Malditas


Mulher é um ser com as suas tendências estranhas, aquela coisa de medir nas outras aquilo que não tem e acha que precisa. Se não consegue, se não alcança o objetivo, aí então parte pra ignorância. Daí que não é nada de espantoso que os deuses do Olimpo, neste caso as deusas, tenham os mesmos tiques e maneirismos das comuns humanas e mortais. É verdade ou não é, que quando olham para alguma mulher mais bem equipada, não começam logo apontando defeitos e postiços, com veneno puro e valendo-se da sua própria faceta de "natural woman"?

Pois no Olimpo não foge muito a regra, poderosos e poderosas quanto baste, mas de uma mesquinhes mortificante. Ao contrário das mortais, que só podem se defender através da má língua e puro veneno, as lá de cima mandam no pedaço e rodam a baiana no pior estilo. E foi isso que aconteceu com as manas Górgonas.

Nascidas do casal Fórcis e Ceto (pra já começa aqui a desavergonhança, os dois eram irmãos) as três meninas nasceram com a beleza brutal da mãe: um rosto ovalado e de pele clara, olhos brilhantes e claros como a água, cabelos longos e ondulados da cor do ouro e um corpo que era  pura tentação sobre duas longas e belíssimas pernas. Ceto e Fórcis eram divindades, filhos de Gaia, a Terra e de Pontos, a primeira divindade do Mar; ora bem sendo que os Titãs acabaram todos na prisão depois de Zeus os ter derrotado, a fama deles não foi a melhor. Eram filhos de presidiários. Mas pronto, vamos lá...

As três meninas do casal Ceto e Fórcis nasceram com a beleza da mãe e com o espírito de porco do pai. Eram elas:

Medusa - A Impetuosa : a menina sabia bem o que queria, e quando queria não havia quem nem como segurar. Ia pras baladas munida de um belo sorriso e se atirava pro primeiro bofe apetitoso aos olhos que ela encontrava. E não largava o rapaz até ficar literalmente no osso. Sempre vestida com o último modelito da D&G, bem curto, com decotes vertiginosos...mostrando que a natureza é bela e cativante.

Esteno - A que Oprime : bela como a irmã, com um magnetismo fora do comum, fazia com que os caras ficassem na dela só no primeiro olhar. Só que ela era dona de um ciúme doentio e o cara nem podia respirar mais fundo que ela já largava um olhar matador. Depois cansava do bofe, e partia logo pra outra jogada. E eles, os abandonados, ficavam na merd@.

Euríale - A que Anda ao Largo: esta, sem dúvida a mais perigosa. Estonteantemente bela, mas do tipo misteriosa, de poucas palavras mas de uma sedução pra lá do imaginável. Nunca aprofundava muito as suas conversas e respondia com sorrisos sedutores, não muito difíceis de fazer com aquela boca rasgada e de lábios cheios. O olhar era um convite ao paraíso e  quando falava em voz baixa e macia abalava os alicerces cardíacos de todos os homens.

Por isso tudo e mais alguma coisa, as meninas Górgonas (nome de família tá?) quando saíam provocavam estragos. Corriam inclusive boatos que, sendo elas irmãs tão unidas e que não tinham nos homens sentido muito alargado de posse, muitas vezes escolhiam dividir entre si um desgraçado (ou sortudo, conforme o ponto de vista) que servia de brinquedo pela noite toda. Se restasse alguma coisa dele no dia seguinte, teria estórias do catano pra contar aos amigos lá no trabalho.

Mas mulher invejosa e encruada é pior que as 7 pragas do Egito, e uma determinada filha de Zeus, uma sonsa do pior, que achava que as manas Górgonas eram os seres mais malignos do universo, decidiu tomar-se de brios e fazer aquilo que ela chamou de justiça.

Tá aí uma coisa interessante: justiça é sem dúvida subjetiva, do ponto de vista de quem a vê. Do ponto de vista das Górgonas, se a vida lhes oferece prazeres e oportunidades..porquê não usa-las?? Do ponto de vista dos caras todos que babavam por elas, se elas dão mole...porquê não podem aproveitar?? Mas do ponto de vista de Atena, se ela não pode (por escolha dela né?) mais ninguém pode se divertir. Pior, com a cabeça cheia de minhocas e invejas, chamou para si o sentido de justiça e num tipo de Batgirl, que quer combater o mal e fazer da justiça o seu bem maior... só fez c@g@d@.

Atena puxou as mangas e então, como toda invejosa, sonsa e encruada usou dos seus poderes de filha de deus maior e largou a bomba, mas de uma forma covarde e bem fria. Aproveitou que as meninas estavam enroladas num bofe que tinham dividido pela noite e dormiam todos o sono dos justos. E fez o despacho assim:

Os lindos cabelos das Górgonas formaram-se serpentes venenosas e super mau humoradas, enroladas e nem com o melhor condicionar conseguiam desembaraçar. Apele que antes era branca, sem pintas ou acne, sedosa e a delícia dos caras, ficou verde e cheia de escamas. As mãos que antes eram só carícias quentes e promessas avassaladoras ficaram de bronze pesado e frio. Os olhos, que antes eram um convite à lugares e desejos proibidos...se tornaram transformadores de pedra. Os dentes brancos e alinhadinhos, que deixavam dentadinhas aqui e ali, foram-se e deixaram no lugar as presas de um javali...

Portanto imaginem a cena: o cara acorda, cansado mas muuuito satisfeito da vida, espreguiça tentando espantar o sono e olha pras três.... valha-me Zeus! Que bruacas eram aquelas?? pensou ele. Mas eu nem bebi assim tanto...cadê as três gostosas com quem eu tinha rolado e ralado a noite toda??? 

Nisso Medusa abre os olhos e sorri pro bofe em jeito de "vamos pra uma saideira?" e o cara grita e fica...empedrado, não no sentido mais divertido da coisa , mas sim em estátua de pedra. O grito ficou congelado os dedos abertos em susto e os olhos arregalados de medo.

Medusa sem entender nada de nada, fica ali espantada e chama pelas manas... que quando olham umas pra outras dão em gritos e sustos e descobrem assim que foram amaldiçoadas.

Zeus, que anda sempre de olho nas minas, que anda sempre a ver se lhe cai mais alguma nas garras e andava já uns tempos pra comer as três, quando viu lá de cima o que aconteceu... encheu-se de fúrias. Mas 
Atenas, a chata, tomou-se de brios e disse que isso, só foi pelo bem da humanidade. E como não poderia deixar de ser, Hera achou muito bem e nãos e falou mais nisso.

Como toda novela das oito, e o Olimpo era uma novela das oito, Poseídon, irmão de Zeus e rei dos mares, mesmo com a Medusa assim pro lado da mocréia... não só assediou a moça como ainda por cima deu-lhe uns "guentas". Eram amantes até ao dia que o babaca se apaixonou por Atena. Aí, Medusa, que podia ser feia por fora, mas até tinha bom coração, cedeu o seu lugar de teúda manteúda pra Atena. A merd@ toda foi quando, Poseídon, boca grande e cérebro de ervilha, confessou à Atena que Medusa tinha sido uma das suas ficantes. Aí é que a deusa da justiça subiu nos cascos... e fez de Medusa um ser mortal.

Se isto tem uma moral de história... aqui vai:

O que nós concebemos como justiça pode vir a ser discutível, já que ninguém é isento das suas próprias necessidades e vivências. No lugar de juiz e deus, há um ser com as suas próprias pulsões e preconceitos, sejam eles válidos ou não. E muitas vezes, quem está preso pelos seus próprios fantasmas e necessidades, vê-se muitas vezes a pender para o lado menos justo.

E inveja... nunca foi uma boa conselheira seja do que for....


Fui!

PS: corrigi alguns erros gramaticais... escrever na hora de expediente...é complicado...as minhas desculpas.

Quarta-feira, Fevereiro 08, 2012

Afff...demorei né?


...isto está meio paradão por estes lados, parece que abandonei o blog, meu primogênito, mas não. Tenho praí uns 4 posts já no fim e mais uns seis começados, todos de mitologia. Mas, como uma pessoa só tem duas mãos e uma cabeça, como ainda não mudaram a duração do dia e também eu sou só uma, vão achando paciência pra esperar pelas novas andanças pela terra  dos deuses e ninfas .

Como tenho mais um par de projetos em andamento, daqueles que me cobram sempre que podem, estou a tentar conciliar os projectos com o resto da enrolação que é a minha vida.

Mas não desesperem que não vai demorar muito e publico assim que der mais uns posts... até lá, aproveitem para ver filmes, ler LIVROS e passear. Saiam da frente do computador, os dias de calor e sol são pra aproveitar!

E não tem sensação melhor que abrir um livro e entrar na história, de ver dentro da cabeça os lugares e as pessoas que descrevem, viver as emoções de quem , lá nas letras, vive uma vida e sentimentos tão próximos dos nossos.

Não tem dinheiro pra comprar? Biblioteca é a solução, e acreditem, vão receber vocês de braços abertos. 

Eu só vou ali resolver uns pepinos e já volto... 

Fui

Sábado, Outubro 29, 2011

Fé, Religião e Toda Essa Bagunçada...




Vamos lá refrescar a memória aqui neste post::

Escrever ou falar de mitos é mexer com as tradições de um povo, por isso, invariavelmente, mexer nisso é mexer na cultura e também na religião. Vai saber a razão, a religião de cada povo é parte da sua cultura e respeitada ao ponto de fazer parte da sua história. Porque muitas vezes tomadas de posição um pouco duvidosas são feitas a partida de preceitos religiosos. 

Podem começar pelos Aztecas, Incas, Inuits, Nórdicos, Hebreus ou Islâmicos. O resultado é sempre o mesmo, há que punir quem não faça parte do "clube da verdade", porque "os deuses" ou "deus" disse isso. Disse assim na lata e na maior descontração, um pai que escolhe filhos e facções para se fazer valer poderoso.

Na minha cabeça, eu sei... uma bagunça completamente louca, fomos nós, sabedores que há lá em cima uma energia criadora, que resolveu fazer uma penca de leis e ordens morais a que chamamos religião. E pela lógica, um ser que é criador, que o faz por amor à criação, não se lembra de, num dia que acordou com o bofe virado, olhar aqui pra este lado e...toma aí um castigo. Assim, sem mais nem menos. E que raio de pai este, criador, que ama a sua criação, resolve dar data limite de validade à sua criação???? 

TODAS as tradições falam do fim do mundo, sem exceção, por muitos milhares de quilómetros de distancia, por muitos milênios de separação, todos falam num "acabar do mundo em chamas e sangue". 

Fomos nós, lá no comecinho da vida e do pensamento humano, quando começamos a olhar lá pro alto e ver que o disco solar desaparecia no horizonte dando lugar à dama de prata lunar, acompanhada do seu séquito real de estrelas... deixamos a mente divagar e tomamos como forças superiores que velam a nossa solidão interna. Porque aqui dentro, no meio de tripas e sangue há algo sempre um bocado solitário e querendo colo. E aí nasceu a fé, essa inexplicável força de vontade, que faz escolher aquilo que nos manda pra frente. A fé de que algo ou alguem superior que vela por nós, que muitas vezes nos castiga sem razão, que nos esquece...e nós, feitos uns bebês chorões, andamos a mendigar a sua indulgencia e bênção.

Porque nós criamos essa historinha toda de deus, e fizemos esse deus à nossa imagem e semelhança. Vingativo, prepotente, parcial (se ele escolhe o povo...é parcial), lascivo, promíscuo, invejoso e arbitrário. Vá... peguem qualquer tradição ou mitologia, nela estão os deuses a fazerem as mesmas cagadas que nós, os mortais e fracas criações. E não me venham já dizer que isso é resultado de uma má religião ou falsa (esta é para os cristãos) porque deus olhou pro lado, quando o rei David cobiçou uma mulher casada, mandou o marido pra pior frente de batalha, pra ele morrer e poder seduzir a viúva. Ele nem esperou saber se o marido dela morreu ou não, entrou com tudo e comeu a gata na mesma.Portanto, se deus esquece umas coisas ( posso enumerar mais um monte delas... olha as filhas de Ló...) e cai pesado noutras...é a nossa imagem mesmo.

Tudo bem, eu vejo as coisas assim, então como é que eu encaro a religião e fé? Não sou dotada de nada nem me revejo em nada?? Bem, a lógica muitas vezes parece estranha e fora de lugar, mas acredito sim numa força superior à nossa e que apenas faz isso: cria. E dá o o maior presente que podemos ter: o livre arbítrio. Isso significa que somos criados e deixados aqui diante das nossas escolhas pessoais. Nós fazemos aquilo que em retorno poderá ser o céu ou o inferno. Acredito na imortalidade da alma, que voltamos muitas vezes para aprender, cada um na sua maneira própria de escolhas, a saber o certo e o errado. 

Em cada momento conturbado e perdido na nossa longa história humana, tivemos grandes mentes, os que eu chamo de "Iluminados". Uns, no velho facilitismo ignorantão ganharam o nome de filho de deus ( mas que porra! se somos todos fruto da criação do ser superior, somos todos filhos dele né?) e foram e são muitos...

De Budha à Krishna, de Confúcio à Maomé, de Jesus à Dalai Lama, pessoas esclarecidas e com uma visão mais alargada do que é ser um ser humano deram pistas de uma forma de vida saudável. A base sempre foi a compaixão, o amor ao próximo e a humildade. Virem isso tudo na mão de quem procura o poder sobre os ignorantes e transformam isso tudo numa religião castradora, ofensiva à vida e prepotente. E isso somos nós agora: pessoas num mundo moderno, cheio de cultura mas ainda com a mentalidade do tempo das cavernas. Comer, lutar, procriar, ambicionar e matar. Pouco mudou. E tal como a maior parte dos ignorantões que andam por aí a acreditar que o mundo se acaba em 2012, brincam com as coisas sem se darem conta de uma coisa. O calendário Maia apontava que até 2012 o mundo acabava. O povo naquele tempo, acreditava que o mundo era aquilo tudo que eles conheciam e conheciam manifestamente pouco. E é verdade.. o povo Maia, tal como existiu... desapareceu. Embora com umas largas centenas de anos antes (erros em matemática eu perdoo, nunca me dei bem com os números mesmo), a verdade é que foi o fim para eles. 

Por esses motivos todos aí em cima, por causa da minha visão pessoal das coisas, (reforço sempre aqui a minha visão e cunho pessoal e nada mais) escrevo estes posts sobre mitologia, porque eles são mesmo assim. Tirem a aura de magnificência, tirem o resplendor e a adoração... são uns boçais e malucões como nós.

Fui


Sexta-feira, Junho 24, 2011

ZZZZzzzzzzzz.... ou O Sono de Morte


Nyx, aquela dona lá que personifica a Noite e que escrevi sobre ela há algum tempo, teve uma penca de filhos, uns legítimos, outros nem por isso. Como ela personifica a Noite, nem sempre ela enxergava direito quem era o bofe com quem alivia as tensões...daí que muitos dos filhos dela, na certidão de nascimento, lia-se "pai desconhecido". Ok, muitos até eram conhecidos, casados tambêm e por isso mesmo ela evitava escândalos, ela gostava de viver na maciota e sem rolos.

Portanto, quando nasceram os gêmeos Tânatos e Hipnos bem, Nyx teve muitos problemas. Cada vez que Tânatos era contrariado, fazia uma birra tremenda e prendia o fôlego até ficar roxinho e morrer. Nas primeiras vezes, Nyx ia a correr à Asclépio para uma consulta de emergência, acabando com o nenem a fazer aquela carinha de santo e todo rosado e bem disposto. Aí, ela de saco cheio dessa brincadeira, foi ao Oráculo de Delfos e ficou a saber que o lindo filhinho era a personificação da Morte. Pensam que Hipnos era mais fácil?? Que nada, o garoto era um dorminhoco tão assumido que só poderia personificar uma coisa... o Sono.

Encafifada com os problemas do filhos, lá foi Nyx para uma consulta com o pai da medicina e fica a saber a verdade cruel: se Tânatos sofria de Catalepsia, Hipnos sofria de Narcolepsia. Aqui, penso que será de bom proveito explicar umas coisinhas...

Catalepsia é uma doença neurológica que faz com que as pessoas que sofrem dessa doença caiam para o lado e pareçam mortas. Na antiguidade, muita gente foi enterrada viva por conta desse distúrbio. O cérebro desacelera de tal forma, que os batimentos cardíacos ficam de tal maneira espaçados e fracos, que parece que nem funciona mais. Há entre alguns monges budistas a capacidade de fazer isso por conta própria, como forma de se manterem em meditação e como controle absoluto da mente e corpo.

Narcolepsia é também uma doença neurológica que se manifesta pelo fato de não controlar o sono. A pessoa adormece de uma hora para outra, sem conseguir sequer gritar: "Me dá um travesseiroooooo!". Segundo estudos, a narcolepsia acontece por causa de uma deficiência num neurotransmissor chamado Orexina, que fica lá no hipotálamo. 

Como podem ver, Nyx teve uma sorte danada com os problemas dos filhos, mas nem por isso deixou de ama-los e cuidar deles. Como todos os gêmeos, tornaram-se muito unidos e compreensivos com os problemas de ambos, ajudavam-se. Mas a infância e adolescência de Hipnos e Tânatos não foi fácil...
Mal conseguiam sair pra uma balada... já que Hipnos não conseguia ficar de olhos abertos. Mas graças ao cocktail chamado "Levanta Defunto", invenção de Tânatos, uma mistura que começava com RedBull e mais qualquer coisinha de guaraná... e o resto fica no segredo dos deuses, até porque pelo meio entram substancias proibidas...mas tá bem, Hipnos aguentava-se mais ou menos meia balada... antes de aterrar com a cabeça no meio do decote da gata que conseguiu cantar e começar a roncar e babar...

Comer uma inocente pizza?? Meu, Hipnos acabava sempre com a cabeçona no meio do prato e uma azeitona enfiada no nariz. Tânatos, como todo bom irmão não permitia que ninguém risse do maninho e matava quem se atrevesse a fazer pouco da...sei lá, sonolência repentina.

Depois havia o grande problema de Tânatos...era um poço de ciúmes e as vezes... bem, ele matava tudo que olhasse pra gata dele. Nem irmão da mina escapava... por isso mesmo, acabou solteirão e dedicado ao trabalho. Um verdadeiro desperdício, já que ele era um pedaço de homem.


Curiosamente, Hipnos encontrou uma gata que ficou na dele, uma lesadinha mental chamada Pasitea uma das Cárites, umas meninas meio abobadinhas mais conhecidas como Graças. A menina, meio maluquinha e de sangue quente achou muita graça (não fosse ela uma delas) ao rapaz tão bonito, de sorriso indolente e olhos amorosos...que na verdade eram olhos de sono, mas tudo bem.

O casamento de Hipnos e Pasitea foi quase um fracasso, pois quem chegou com duas horas de atraso foi o noivo, que só depois de um banho gelado e alfinetadas na bunda lá se resolveu a levantar da cama. A Lua de Mel... bem... foi qualquer coisa como:

A Gracinha, lá toda cheia de calores e suores e mais umas quantas humidades, de costas para o noivo jogado na cama pede:

"Môôôr...vem aqui me ajudar a desabotoar o vestido???"

"ZZZZZZZZZzzzzzzzz....."

Quando ela se vira a procura do barulho suspeito, encontra o noivo todo vestido em cima da cama roncando como uma locomotiva de carvão.

"MÔÔÔÔRR!!!! Cê tá dormindo já??? Então... e eu???" 

"ZZZZZZZZZZZZZzzzzzz...."

Amuada, a coitada da Gracinha acabou sem graça e nem na mão e nem dormiu. Primeiro, por causa daqueles calores todos ao lado de um bofe todo lindo. E depois porque ele roncava mesmo muito alto. Mas a natureza é o que é, e vai se saber porque ou como...tiveram filhos. Sim, no plural...filhos. Mas se Artemis e Edimion tiveram 50 filhas mesmo com ele eternamente adormecido, porque não o mesmo poderia ocorrer com Hipnos e a Gracinha?

Acho que do lado da Gracinha a coisa não foi assim tão fácil porque afinal ela teve apenas 4 filhos e uma filha... e todos puxaram o papai. Aqueles almoços de família eram um tééédio danado... a única verdadeiramente acordada era a Gracinha. Noutra altura contarei os episódio desta família letárgica e que raramente conseguia sair de casa.

Mas o amor é o amor, ou vamos ser honestos, a Gracinha tinha um medo terrível da sogra e dos cunhados, cada um deles mais complicado e terrível do que o outro. Portanto, até hoje o casal maravilha Hipnos e Gracinha continuam juntos para toda a eternidade...

e.... Fui

Sexta-feira, Junho 10, 2011

Rosamund Fair - A Teúda e Manteúda Mais Ignorada do Mundo


Por motivos que nem vale a pena explicar, andei fugida mas não inativa, trabalhando muuutio, lendo demais e ensaiando novos assuntos aqui pro blog. Jamais deixaria de lado este espaço que foi o primeiro onde comecei as minhas andanças "escrivinhadoras". Apenas dei um tempo para encontrar novos mitos, e nas lendas arturianas tem um monte delas...mas fugindo um bocadinho das arturianas e mergulhando de cabeça na mistura interessante da História em si com o mito, vem a tristemente célebre Rosamund Clifford, mais conhecida por Rosamund Fair (Rosa do Mundo a Fada).

Em Gales, lá pelos idos de 1150 (sim, a data é essa mesma) um pequeno choro ecoou na casa do casal Walter e Margaret, anunciando a chegada de mais uma filha.
A menina quando nasceu era uma de uma beleza angelical tamanha, que os pais todos babados resolveram dar-lhe esse nome pitoresco: Rosa do Mundo ou como no dialéto lá do burgo se dizia Rosamund. Embora tivesse mais três irmãos e duas irmãs... ela era super mimada. Nada de correntes de ar, nada de brincar na rua com as amiguinhas, pular era absolutamente proibido e dada a natureza pacífica da menina... ela cresceu como um lírio - bela, delicada e muito suave.

Obviamente que com o passar do tempo, tamanha candura (para não dizer que moça era uma mosca morta) era cobiçada por diversos pretendentes e muito guardada pela família. Tantos dotes de personalidade, a ascendência imaculada, a sua devoção pelos santos, caridade e deus...bom, ninguém poderia supor que a menina fosse fazer algo de errado. Pelas contas do seu pai, ele encontraria um bom partido para casa-la e conseguir tornar maior o nome da família. A mãe por outro lado, via na filha mais uma infeliz sem espinha dorsal, que ia fazer todas as vontades do marido, levar porrada de criar bicho e ainda ia chama-lo de "meu senhor" conforme o costume da época. Aliás, o normal naqueles tempos era um homem se casar( homem.. bem, discutível, tivesse já 15 anos, título e fortuna e já tava em idade casadoura) , e depois de consumado o casamento, voltar para a ou as amantes... normal. 

Mas como ia dizendo, a mocinha calada e quieta, o nenén da família, que passava a tarde lendo, com o MP3 ligado nas orelhas e ouvindo música classica, mal dizendo uma palavra que fosse, na verdade era justamente o inverso. Porque? Simples, toda menina ou mulher que parece que não parte um prato, que é muito boazinha, muito anja... na verdade é uma depravada enrustida e pronta pra sair do armário. Toda menina e mulher que foi constantemente reprimida, um dia, a válvula de segurança estoura de vez... e foi o que aconteceu com ela.

Nessa altura, a França e Inglaterra, para variar estava um zonão, lutas pelo poder... maior bagunça, lutas pelo poder? Vigi... parecia o nosso Senado. Valia tudo, até arrancar olhos... literalmente. Henrique II Plantageneta, que herdou a bagunçada Inglaterra era um tipo de homem que chamava a atenção: aquela coisa normal que salta a vista da mulherada: meio selvagem, perigoso e de poucas palavras. Não precisava muito... um olhar era suficiente pra mulherada começar a ficar cheia de calores, palpitações e muito convidativas. Por onde passava... bem deixava rastro. Era bonito? Não, não era uma beleza por aí além, mas tinha uma presença do catano e isso meus senhores... contam muitos pontos. Aquele ar de segurança, que não se abala com nada e com CABEÇA funcionando em pleno, faz mais conquistas do que meio palminho de cara, e um carro último modelo.

Daí que quando Henrique foi botar ordem naquele zonão em Gales...Rosamund viu-o pela janela... por acaso, nesse dia o Henrique vinha enlameado, mas com uma aura tão viril, tão senhor de si, que fez a Rosamund sentir calores onde nunca tinha sentido antes. Como o papai dela era um homem muuuito importante (mais ou menos um tipo de Coronel do Sertão), Henrique iria ficar hospedado na casa dele, e aí minha gente... a coisa rolou...

Rosamund assim que soube que ia estar na presença do Rei ao jantar, mandou a aia de folga, num repente fez a sobrancelha, depilou tudo aquilo que encontrou demasiado "arbustivo" (pernas, axilas e...pois... também) tomou um banho com pétalas de rosa, e foi buscar as meias de liga, a lingerie que comprou às escondidas dum candongueiro, pegou no melhor vestido e desceu o decote... e se preparou para a caça... 
Obviamente não ia dar bandeira na frente dos pais e dos irmãos, portanto, num assomo de astúcia, colocou um xaile preso de forma estratégica de modo a deixar ver quando lhe apetecia mostrar, a qualidade da fruta dela.  :)

Henrique assim que bateu o olho nela babou... o cabelo ondulado e longo, a pele branca e sedosa.. os olhos verdes como a floresta e a boca voluptuosa e vermelha (de tanto que ela mordeu os lábios) e pra arrematar.. aquele ar angelical. Bem, como eu disse antes, Henrique tinha cabeça, era um ótimo estratega, mas era homem. E quando viu a Rosamund, a cabeça de cima desligou e a cabeça de baixo ligou total! Não perdia cada movimento dela...uma inclinação que mostrava um tantinho de um seio, a forma como ela mordia a uva, os olhos sonhadores... e esse conjunto mexeu com ele. Porque há ainda uma certa fantasia em muito homem em "querer ensinar coisas divertidas" às mulheres que, pensam eles, coitados, que são inocentes.

Quando chegou a sobremesa...Henrique já não ligava porra nenhuma à conversa social e ficou paradão na Rosamund. E quando a danada lambeu os lábios e chupou os dedos cobertos de doce de amoras... bem aí a coisa ferveu. O Rei disse que tava cansado, precisava recuperar energias e tals... e foi pro quarto. Logicamente todo mundo fez o mesmo pra não fazer barulho, deixar o Sr. Rei dormir o sono dos justos...mas a Rosamund já tinha o plano todo feito. Ao despedir-se de Henrique, fez uma profunda vénia e deixou visível aos olhos do Rei o decote com um crucifixo entalado entre os seios... e o poderoso Rei tremeu nas bases.

Na calada da noite, enquanto meio mundo roncava e babava o travesseiro, Rosamund mostrou ao Rei a Pomba-Gira que vivia nela e deixou o Monarca completamente preso por ela. No dia seguinte, sem mais delongas, Rosamund fez a sua trouxa e seguiu o séquito real. Para grande consternação da família... tornou-se Teúda e Manteúda do Rei Henrique II. A mãe, de bobis e ainda com o creme de noite na cara gritava por deus e pelos anjos. O pai... bom, de queixo caído, fazia contas do estrago e de menos um dote a receber e dar. Rosamund, com um arzinho petulante jogou um olhar de : "se liga gente, a vida é minha e faço o que quero".

O leitor agora poderá pensar que ela ficou num bom apartamento, rodeada de luxo, com cartão de crédito ilimitado...um Platinum. Pois foi, ficou bem na vida... mais ou menos. Ficou numa casa meio escondida na floresta de Woodstock, mas as visitas do Rei... meu, muito poucas. É que por força das circunstancias, ele tinha que se casar com alguém de linhagem nobre, e calhou de Leonor de Aquitânia estar disponível. Divorciada e com dois filhos, poderia-se dizer que seria uma tremenda besteira, mas Leonor era dona de quase metade da França. Aí os escrúpulos vão pra gaveta e há casório. Tudo muito fino, sem cascata de camarão, sem escultura de gelo, mas muito fino.

Então imaginem.. Henrique tomando conta de tanto território, França e Inglaterra, mulher e amante... tempo?? Tudo contadinho ao segundo. Largou a Rosamund? Não.. segundo consta ela era o amor da sua vida, e da mesma forma, Rosamund nunca procurou ninguém, nem teve ninguém nas "horas vagas do Rei". E dizer que eram horas, seria elogio. Haviam par de anos que ficavam sem se ver. Uma amada amante na prateleira, odiada pela legítima (que não parava de ter filhos, entre eles João Sem Terra e Ricardo Coração de Leão). No total, com Henrique, Leonor teve 8 filhos... meu, o cara andava só de catuaba, gemada de ovo de pata e muito guaraná!!! Guerra, mulher esfomeada e ciumenta e amante Pomba- Gira... era preciso ser um cara cheio de competência pra aguentar. Só que chegava uma hora que fica complicado.. e Rosamund ficou de lado. Pegou depressão...chorou feito chafariz, deixou de comer... até que resolveu entrar para um convento. Toda gente sem noção, perdido na vida, sem rumo e opção, pensa que ir pra um convento resolve tudo. Esquecem um lado absolutamente importante: VOCAÇÃO!

Dizem as más línguas, que Leonor não ficou nada satisfeita de andar com galheira na cabeça além da coroa. Resolveu acabar com Rosamund e mandou incendiar o quarto dela no convento. Outros dizem que passado um ano de convento, Rosamund morreu de tristeza. Cá pra mim morreu foi de tédio.. isso sim!

Moral da história: nunca avaliem uma pessoa pelos modos sociais. Nunca rejeitem um mosquinha morta, aquela bibliotecária toda arrumadinha e de coque, óculos fundo de copinho de pinga... é um vulcão contido. Há muito mais dentro do livro do que a capa pode transparecer...

FUI!

Quarta-feira, Fevereiro 09, 2011

Uma Perguntinha Inocente...


Eu bem podia continuar as minhas crônicas mitológicas, fazendo de conta que tá tudo azul, tudo beeeeem, nesta terra azul anil, do meu Brasil. Mas há uma coisa que anda fazendo órbita aqui na minha cabeça, o que porra andam os estudantes de comunicação social estudando nas faculdades? Porque é aquela coisa medonha ouvir ainda, o o "seje". Depois aquelas situações de catástrofe, uma miséria só e a ou o jornalista pergunta à vítima : "Como você está se sentindo?" É isso que levou 4 anos aprendendo? Mexer com os sentimentos de quem perdeu tudo? Cadê as pesquisas e fatos?

Ao sair do MSN, vi esta reportagem do Estadão,  a jornalista, novinha e cheirando a leite não fez o trabalho de casa. Não adianta... o link não consigo incoporar, copiem e ponham a rodar...
http://video.msn.com/?mkt=pt-br&playlist=videoByUuids:uuids:a602dbad-0396-47d8-bd11-fa9e22cc07f5&showPlaylist=true&from=tvestadao&fg=gtlv2

Minha geeeente!! Tá por aí um montão de bandas rock que se juntaram com orquestras sinfônicas, filarmônicas e afins e fizeram trabalhos fantásticos. Minha menina...você não pesquisou nada?? Nem sequer se deu ao trabalho de ver que há, nas muitas variantes do Metal, o Metal Sinfônico?? Carai... é preguiça ao cubo mesmo. Vou dar só alguns exemplos bem conhecidos:


Metallica fez furor com este trabalho que ficou fantástico!!!



Scorpions... e a Filamônica de Berlin... o máximo!!!



Led Zeppelin, aqui com a Sinfônica de Londres... meus deus menina, não é novidade nenhuma... não tem que imaginar nada... tá aí...



Até o chatinho Axel Rose fez a November Rain com orquestra...



Uma das minhas preferidas... Within Temptation



Bom, esclarecendo: Tarja Turunen, ex vocalista dos Nightwish, formação lírica, voz potente cantou aqui sem orquestra sinfônica um tema bem conhecido do musical Fantasma da Ópera... e deu nisto:



O vocalista dos System Of a Down, Serj Tankian e uma orquestra, aliás, vale a pena informar que ele foi convidado para este projeto...



Jeff Mills, O Cara da música eletrônica junto com a orquestra Filarmônica de Montpelier...em Lisboa fez este momento mágico:





....isto minha gente é só um cheirinho.

Quando a menina jornalista disse : imaginem o que seria juntar roqueiros com orquestra... ô meu pai...não é preciso imaginação. É só clicar no mouse e aparece logo muita coisa pra colocar. É preguiça? É ignorância?? Falta de traquejo profissional?

Teria sido uma bom começo de matéria se ela falasse assim:

"A par de grandes grupos rock como os Metallica e Scorpions, a banda Dr. Sin juntou-se com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo para um trabalho...blá, blá, blá"

Minha gente, jornalismo é um assunto sério e que não se baseia em apenas ir ao local e fazer entrevistas, é preciso antes fazer os trabalhos de casa e começar a carregar alguma bagagem cultural. E pro caras do Dr. Sin... bom trabalho, vamos ver se da próxima sai um DVD ok?

Fui

Quarta-feira, Janeiro 19, 2011

Rei Artur - A Saga Segundo a Pepê - I


Já de caras minha gente, ninguém chega num ponto de concordancia: uns dizem isto, outros aquilo, bate-boca, diz-que-diz e lhufas do que é real. A maior parte da história desse tempo se baseia em lendas, e lendas a gente já sabe, começa numa pequena verdade e depois vai ganhando novas cores ao sabor de quem conta.

Daí que vamos mesmo pela lenda, já que, pra falar de história e dar aula...tem os professores que ganham a vida nisso. Nem eu tenho grau acadêmico pra ficar aqui num blá-blá de encher chouriço.

Portanto se preparem, isto é quase uma novela daquelas que entra a ceguinha, os irmãos e os filhos ilegítimos e toda essa bagunça. Hoje vou pedir que usem a imaginação e façam o cenário conforme eu for jogando os elementos aqui ok? Por isso...

...Era uma vez, um cara que tinha um sonho, esse sonho era de conseguir chegar ao sucesso, que o seu nome chegasse aos píncaros do universo e perdurasse para todo o sempre. Seu nome era Uther Pendragon, (uns dizem que era Brteão outros não...) que colocou a cachola par funcionar e bolou um plano daqueles não é pra qualquer um: ser Rei! Mas o problema é que já havia um rei, o Duque de Tintagel, dono e senhor da Cornualha (o nome sugere já de si problemas...), bem casado com Igraine e com uma filhota linda Morgana. Mas Uther queria isso tudo num pisacar de olhos e sem fazer o menor esforço para isso. Lutar?? Ficar ferido, cheio de dores e sem dormir?? Mas nem sonhando...

Uther conhecia um velho que diziam que era da hora, sabia fazer qualquer feitiço, mandiga e sabia ler o futro como ninguém, só tinha um problema: agenda super lotada, era muito seleto nas escolhas do clientes. Uther era um bocado bruto, um casca grossa mesmo, mas conseguiu uma vaga. 

Pediu um feitiço que, segundo ele mesmo explicou seria uma forma de acabar com as lutas e ambos serem ricos e bem na vida. Merlin não ficou seduzido (pois claro que era o Merlin... dããã) pela fama, glória e ouro, mas sim pela paz. é que pra aqueles lados era só terra ensopada de sangue, uma miséria só. Resolveu então ouvir o plano que se mostrou audacioso, louco de pedra, arriscado demais... e  por isso mesmo tinha tudo pra dar certo. Ficou tudo combinado para o dia e hora marcada, Merlin iria com as suas artes transformar Uther em Duque de Tintagel. Não me perguntem que feitiço era esse, só sei que Merlin sabia o que fazia.

Um belo fim de tarde (e fim de tarde lá mais pro norte da Europa anoitece lá pelas 4 da tarde) o Duque começou a vestir a lataria, perdão, a armadura, se preparando para a guerra. Muito desgostosa e chorosa, Igreine assistia essa brincadeira de colocar um ser humano em foma enlatada para guerra e já sentindo saudades do marido. Eram um casal unido e que se amavam, coisa rara naqueles tempo de casamentos arranjados à força. Entre beijos e lágrimas despediram-se, juraram voltar a se encontrar novamente e lá foi o Duque pra guerra.

Uther poderia ser casca grossa, mas não era burro, deu um par de horas pra comitiva toda do Duque sair de perto e depois Merlin fez lá a mandiga dele e PUFFF... Uther estava igualzinho ao Duque, sem tirar nem pôr. Entrou a galope pelo castelo adentro, sobe até ao quarto da Igreine e... minha gente, não sei quem foi mais corajoso nessa dupla. Porque nem a armadura o apressado do Uther tirou, abriu a porta levadiça lá de baixo e o ariete não entrou.. saiu (ô meu pai...esta ficou um bocado XXX). Igreine coitada, pensando ser o seu marido que vinha pra uma rapidinha de despedida... aguentou o tranco. Aqui minha gente, nem merecia cuidado se acama rangia e fazia barulho...porque com tanta lata e sacolejo, barulho não faltou! Mas a coisa foi durando, durando...e ele foi se desfazendo da armadura...e foi ficando. E conta a lenda que, no exacto momento que Igreine concebia Artur, o Duque, seu marido, morria no campo de batalha. Quando Uther se cansou de se sertificar que ela tinha sido devidamente... fertilizada com a sua semente...deu no pé. Nem deixou o número do celular, nem um recadinho...nada. Comeu e se mandou! Nem tinha passado 20 minutos, eis que chega um emissário a avisar Igreine que o seu bem amado marido, o Duque de Tinatgel tinha tombado no campo de batalha bravamente.

Igreine soltou um "mas que porra é essa se ele acabou de sair" muito educado, mas compreensível. Se o homem acabou de sair como é que lá no longe como tudo ele tinha tombado no campo de batalha e vinham avisa-la?
A mulher ficou com um nó na cabeça do tamanho do mundo, era incompreensível que tais coisas tenham acontecido assim. Passados uns tempos, os enjoos, a vontade de comer sopa de goiaba, vatapá de caramelo e o sono que não a largava mais... eram os sinais de que mais uma vida estava se gerando dentro dela. Mas se não era do marido... de quem seria? Almas do outro mundo? Creeedoooo... não. 

Rainha sozinha é o mesmo que dizer que há 20 urubus em cima da carniça, portanto, na escolha dos possíveis pretendentes ao título de marido da rainha estava Uther, que conseguiu fazer chegar um recadinho á distinta senhora avisando que ele era o pai da criança que estava pra nascer. Acabou por Uther conseguir o que queria, pois chegou ao lugar de Rei...mas não foi ele que ficou famoso. Depois de um parto complicado e doloroso (porque ele era cabeçudo mesmo), Artur foi entregue à Merlin como recompensa pelos serviços prestados. Vocês até podem achar que Merlin saiu perdendo...mas se eu não tivesse colocado o nome de Uther Pedragon e explicado quem era.. alguém ia saber quem era o distinto cidadão? Mas todo mundo sabe pelo menos quem era o Rei Artur da Távola Redonda...

Merlin tinha visto que, se ajudasse Uther, o verdadeiro Rei que uniria todos os territórios da Bretanha seria o seu filho: Artur. Portanto, aceitou a dádiva de criar e educar o futuro Rei. O grande problema era este: era uma criança que saía muito ao pai...mas tinha o bom coação e a inocência da mãe. Um cabeça dura de marca maior, mas bom rapaz e de bom coração. E foi esse menino, que um belo dia puxou de um pedregulho a tal espada, que fez dele rei. Porque a espada meus amigos, não sairia nunca pelas mãos de quem usavam a força, mas sim o coração (momento: ohhhhh...qui bunitinhuuuu).

Mas o moleque deu que fazer ao Merlin... foi ele, Artur, que acabou com a farta cabeleira do mago e deixou-o de barba branca. Até chegar no dia do encontro com a dama do lago, muita água passou por debaixo da ponte. 

No próximo episódio: Artur faz a sua ordem de cavaleiros e como por parte de mãe tem o título de senhor da Cornualha, lhe valeu um belo par de enfeites em forma de cornos oferecido pela legítima. Eu bem dizia que o lugar sugere coisas...

Fui.

Terça-feira, Novembro 09, 2010

A Dama do Lago Precisa de Touca de Banho


Não é que não exista material de sobra pra escrever sobre mitologia grega, não é isso. É que há tanta coisa por aí engraçada, verdadeiras novelas das oitos em vários contos, lendas, tradições e mitos pelo mundo, que até é uma sacanagem não abordá-los tambem.

Aí, ontem, meio emburrada por causa de um resfriado, com nariz pingão e sem saco pra mais nada, fui na estante dos filmes e tirei um que já fazia séculos que não via. E por causa dele, vou começar a falar das lendas arturianas. O filme? Excalibur. Fui atrás dos livros, libretos de óperas, de sinfonias e o escambau. Desta vez vou começar pelo meio porque deve ter sido horrível a vida dessa dona...

Imaginem o que é agora a Grã-Bretanha mas no ano 500 D.C, não havia Rei, o território estava parcelado pelos diversos senhores feudais, o povo andava em passeatas, uma bagunça que só. Mas havia uma lenda que dizia que o homem que uniria todo o território surgiria no dia que fosse capaz de tirar uma espada de um pedregulho. (Juro que depois conto a lenda de Arthur, mas agora passemos à frente) Arthur tirou a espada e foi consagrado como Rei. E todo rei que se preza, tem cavalo, armadura, escudo, lança e... espada. Mas não pode ser uma espada qualquer tipo Made In China ou "importada" do Paraguai. Não...tinha que ser uma espada de tradição, de respeito e que só a presença da dita fizesse os inimigos tremerem na base.

Uma espada dessas não se encontra na sucursal do inferno que é a Rua 25 de Março, nem em mercado das pulgas. Tem que ser um lugar de respeito. Na época, e vale a pena lembrar, a Velha Tradição (aquilo que hoje se chama de Wicca) andava tentando manter a cabeça a tona por conta do cristianismo. Pra mal dos pecados, o local sagrado dessa tradição era uma ilha chamada de Avalon, escondida entre as brumas, no meio de um enorme lago. Nessa ilha, as doenças encontravam cura, o tempo deslizava de forma diferente, mais devagar, reinava uma paz...chata pra caramba e era o lar das sacerdotisas da Grande Mãe, e por isso mesmo da Grande Sacerdotisa. Só que como toda Grande qualquer coisa, não vivia propriamente em Avalon...vivia no Lago que circundava a ilha.

Não havia hidratante que chegasse, nem chapinha que lhe valesse para manter o cabelo e o corpo assim pro lado do mais apresentável. Por isso, Viviane, a Dama do Lago, mostrava só o braço e... já era muito. Ouvia-se a voz dela, o canto ao amanhecer e ao pôr-do-sol...
Mas... as notícias corriam depressa, e logo chegaram aos ouvidos de Viviane que o salvador da Bretanha chegou e ela mandou um torpedo ao Merlin : "Manda esse moleque aqui no lago, quero falar com ele". Merlin coçou a careca... e pensou que seria bom dar umas explicações ao Arthur, porque o que lhe sobrava em coragem, faltava em cérebro, então era bom explicar umas coisinhas pro lerdo mental antes que fizesse alguma besteira na presença da Dama do Lago.

"Olha aqui meu filho, a Dama do Lago quer com você, deve ser importante e por isso mesmo vou te dar uns conselhos: não enfia o dedo no nariz e fica ali escarafunchando enquanto ela fala, não arrota na frente dela, pum nem pensar, e é "sim senhora", "não senhora" e  "muito obrigado senhora". Entendeu?"

Arthur coçou o capacete (esqueceu que tinha ele na cabeça...o lerdo), fez aquela cara de esforço mental, e tentou decorar todas as coisas que o velho ia falando pra ele. Guardou naquela cabeça vazia os preceitos ditos pelo velho mago, não queria fazer feio,mas por vias das dúvidas fez uma cola e grudou na manga...por que aquela cabeça...

Pegou no cavalo e esperou pelo jumento do Merlin (o Merlin não era jumento, tinha um jumento como meio de deslocação), que tão teimoso e empacado como o dono demorava em chegar...ficou ali fazendo uma revisão nas regras de boa educação ditadas pelo velho mago.  Quando finalmente o mago e o jumento chegaram, rumaram para o tal Lago. No caminho, cada um ia pensando no que cargas d'águas a Viviane queria falar de tão importante...


Viviane já nos cascos com a demora da dupla capenga, pensava que aqueles dois nem imaginavam a responsabilidade que tinham em mãos para levar o território à Paz e Prosperidade.

"Humppfff.. homens, os lerdos de sempre!! Cerveja, vinho, comida e porrada... isso é que lhes interessa..."

Finalmente, Arthur e Merlin chegam na beirada do lago e vêem a barca que costumeiramente leva e trás os passageiros para Avalon. Arthur, como todo cara grande era um trapalhão de marca maior e se viu grego (eu disse grego?) para acertar a remada. Merlin de flanelinha ia dando as indicações que nunca davam em nada: "mais pra esquerda, mais pra direita... olha o ritmo!!"
Lá no meio do lago, a Lady tava tamborilando os dedos, vendo aqueles dois aos zig-zags e se perguntando se Arthur seria uma boa escolha...affff...

Praí uma boa hora depois, um muito suado Arthur e um já rouco Merlin chegam finalmente no meio do lago e Viviane chama Merlin de lado pra um conversê...

Depois de muita conversa, de todas as provas dadas por Merlin, Viviane aceitou que Arthur será o Rei da Bretanha e sabendo que essa não seria uma tarefa fácil e tentando garantir que Avalon e a Velha tradição não perdesse o seu lugar, achou uma solução confortável.

"Olha aqui Arthur, já que você vai ser Rei, já que vai ter que lutar muito...vou te dar uma ajuda preciosa. Mas presta bem a atenção moleque: eu vou te dar uma coisa que é tão valiosa, mas tanto, que sem ela, você  pode perder tudo, até seu reino. Porque com essa coisa que vou te dar... vai um juramento com ela. Se quebrar o juramento, quebra o acordo e acabou tudo... entendeu?"

Arthur, que só memorizou o: valiosa e reino, e mais do que isso caiu fora dos ouvidos. Portanto olhou pra cola que tava grudada na manga, e disse um . "sim senhora" tão sério...que até convenceu a Lady.
Ela mergulha no Lago, foi até aos seus aposentos particulares e voltou de lá com uma espada esplendorosa...

Os dois caras no barco olharam com espanto a mão de Viviane surgindo de dentro d'água com uma espada brilhante esplendorosa... Merlin começou a tremer todo... será?? Seria?? Não podeeeee... começou a gaguejar e se beslicar todo, querendo acreditar que aquela... era a lendária espada???

"Arthur..." disse a Dama do Lago "esta espada é Excalibur, a espada mágica que vem de tempos idos, onde a sabedoria era embutida em objetos que serviram para manter o equilíbrio na Terra... Mas junto com ela vai a promessa, que da mesma maneira que você vai defender a fé cristã, vai tambem defender a fé da Velha Tradição, as duas crenças vão conviver em boas graças ok?"

Arthur não entendeu lá muito bem, mas por vias das dúvidas,  aceitou o trato, afinal, não ia custar nada, e aquela espada...ia ajudar na suas conquistas e lutas...

A espada tinha o poder de nunca se partir e sempre ajudar o seu possuidor. A bainha foi feita pela meia irmã de Arthur, a Fada Morgana (eu bem digo que isto é meio novela das 8), que não só protegia o dono de Exaclibur de ferimentos de morte como ainda ajudava a não sangrar, promovendo uma cura fácil.

Na verdade, passados uns anos, a cabeça dura de Arthur e algumas cagadas...ele esqueceu o juramento feito à Viviane, esqueceu de proteger a Velha Tradição, começou só a correr atrás do Santo Graal, quase ensandecendo por isso... e a Viviane tomou-lhe de volta a espada mágica. Foi o descalabro total, a Bretanha novamente começou a mergulhar no caos e destruição, a morte era uma constante...
Arthur, ferido de morte, já sem Excalibur, rogou à Dama do Lago por misericórdia... e ela, coração de manteiga, levou-o para Avalon, onde segundo conta a lenda... Arthur está lá adormecido esperando voltar para recuperar o seu lugar.

E Viviane anda lá em baixo no Lago, se besuntando com hidratante, gastando rios de dinheiro em cabeleireiro por causa do cabelo lambido e escorrido... e ninguém da uma touca de banho pra ela...

...que judiação...

Fui

Quarta-feira, Novembro 03, 2010

Um Menino Rico Revoltado... A Lenda de Sidharta Gautama


Já vou avisando que, nada do que aqui vou colocar é uma versão desrespeitosa, apenas imagino como seria a mesma personagem nos dias de hoje, se seria possível uma consciência despertar...assim do nada.

Então, bola pra frente!!!

Era uma vez um menino, que contrariamente às outras crianças, nasceu de um parto sem dor. Conta a lenda, que a árvore sob a qual o menino nasceu , vergou seus ramos para que sua mãe pudesse agarrar-se e dar à luz de forma mais fácil, já que estava de pé...
Espanto geral da populaça que viu nisso um sinal dos deuses, e o pai babão, poderoso chefe das redondezas achou por bem chamar os pajés, xamãs, mães de santo e todos os homens sábios para que pudessem dizer ou prever o futuro do menino.

Um deles, poderoso mas humilde visionário, olhou pro nenê acabado de nascer e disse que o futuro dele poderia mudar o curso da história dos homens. O pai não gostou da história nem um pouco... ele queria que o filho sucedesse à ele no troninho do Quero- Posso- e Mando. Queria que ele fosse o rei da cocada preta e que tomasse pela luta mais territórios e fazer daquele cantinho do mundo um lugar poderoso...fazer do Nepal uma grande Nação.
Passados um par de dias, a mãe de Sidharta, (foi o nome que deram ao filhote, mas pra facilitar vou chamar de Sid) morreu sem qualquer tipo de doença ou dor. A chamada morte abençoada e que não faz ninguém sofrer. Diante dessa perda, temendo a doença, a morte e principalmente, o afastamento possível do seu filho amado... o grande chefão bolou um plano digno do Cebolinha.

Suddho, pai de Sid, decidiu fechar a sua corte num dos mais suntuosos e maiores palácios, não necessitando sair dele para nada. Mais ainda, arranjou vários estratagemas para que nunca, mas nunca mesmo, o seu bem amado filho Sid tivesse que presenciar o envelhecimento, a dor, a doença e a miséria do mundo. Assim, fechado nessa gaiola dourada cresceu Sidharta, mimado, acarinhado, totalmente ignorante do mundo real que havia por detrás das portas douradas do palácio. Ele cresceu, casou-se e durante a gestação do seu primeiro filho algo começou a mudar debaixo dos caracóis negros que lhe enfeitavam a cabeça. O que raios haveria por detrás dos muros do casarão? Porque nunca o deixavam sair de lá para ver o que havia??

Bom, é verdade que durante anos e anos andou a luz acesa naquela cabeça, tocavam a campainha ....mas ninguém atendia. Mas ainda bem que mesmo na sua vida adulta ainda teve tempo de pensar no que havia para além do palácio.

Então, depois de passar uma semana inteira aporrinhando o saco do Suddho, o velho lá abriu mão da sua teimosia e deixou que o filho visse o mundo fora de portas. Mas...o velho era daqueles que não dava ponto sem nó. Montou uma produção daquelas dignas da Globo, chamou figurantes (só gente bonita, saudável e jovem), contratou coreógrafos, embelezou a rua principal...e só assim deixou o rapaz sair em cima de um elefante , bem aconchegado no palaquim.

Sid, contente da vida, ficou olhando para aquela armação toda e se maravilhou... achou que afinal, a vida fora do palácio era igual aquela que ele tinha...até que ele viu um homem que parecia um maracujá de gaveta, enrugado, magro, esfarrapado...sujo e piolhento até ao limite da nojeira. 
Imediatamente os seguranças foram alertados via rádio que havia um que entrou numa de boca livre... e levaram dali o meliante. Mas Sid ficou encafifado...o que seria aquilo??? Porque sumiu??? De repente, as engrenagens que andaram tanto tempo emperradas na cachola começaram a funcionar...

Naquela noite ficou revirando na cama King Size feito pirolito em boca de criança... até que se levantou e foi questionar o pai. Entrou assim no quarto do Suddho sem bater na porta nem nada (menino mal educado e mimado tem dessas coisas... tudo é dele) e ficou chocado com o que viu...

Não, o pai não estava enrolado nas concumbinas numa suruba normal, estava sim levando mais uma camada de tinta nos cabelos, mais umas aplicações de botox pra fingir que ainda era jovem, que não envelhecia... e Sid tomou um choque... afinal as pessoas envelheciam??

O moço tomou de brios, saiu batendo os cascos no chão de indignação e marchou até aos portões e deu um jeito de escapar pra rua. Zanzou muito tempo, viu os mendigos, a doença nos olhos de crianças e velhos, o trabalho árduo daqueles que nada tinham, a dor da perda de um ente querido...ele olhou para os olhos do povo e viu o sofrimento, a dor e a perda...

Ora bem, chegando neste ponto podemos pensar duas coisas, ele poderia simplesmente pensar: 

"Não é problema meu que eles são pobres e eu sou rico e sem nada que me aporrinhe a vida...antes eles do que eu, mas passo um cheque chorudo, ou faço umas festas beneficientes e assim ajudo os pobres..."

ou

"Carai... cumé que é possível uns terem tanto e outros não terem nada?? Porque é que eu nunca sofri e tem gente que sofreu tanto? Porque me sinto sem apetite num banquete de 200 partos e outros sentem alegria com uma mísera lata de sardinhas e um pedaço de pão?? Não tou entendendoooo"

Mas Sid decidiu escolher a segunda opção, entender porque o mundo sofre, como saber escolher o caminho sem sofrimento e dor e que todos possam ser felizes. Por isso, Sid simplesmente fugiu de casa, largou a mulher grávida e meteu o pé no mundo. Entre sofistas, heremitas, surfistas, emos e demais tribos de ideologias diferentes...Sid não encontrou a resposta... decidiu por ele mesmo, com a ajuda da meditação e total ausência de participação no mundo alcançar a resposta que vale 100 milhões...

Ficou anos sentado na mesma posição (conhecida por toda gente que faz yoga de posição do Lotus), apenas se alimentando do orvalho e de alguma semente que algum pássaro deixava perto dos lábios. A imobilidade era tanta, que os pombos fizeram dele o lugar de descanso, os caracóis, não os do cabelo, mas aqueles remelentos normais, subiram até à cabeça dele e ficaram grudados...mas nem assim achou a resposta.

Até que, passados uns anos, encontrou a resposta: encontrar a felicidade, sentir a ausência do sofrimento e da dor, bastaria apenas e tão somente um equilíbrio entre a espiritualidade e o nosso lado físico. Descobriu que, sabendo que esta vida é apenas transitória, o apego às coisas materiais, a escravidão dos desejos levam à infelicidade... e tacharaaaammmm... 

Sidharta deixa esse nome para trás e passa a ser conhecido como Buda, que significa O Iluminado....

Agora vamos conversar...

Quando amamos muito alguém, queremos sempre evitar que essa pessoa, seja um filho, irmã ou namorado, não sofra e para isso, achando que faz um bem enorme, colocar a pessoa dentro de uma redoma. Só que há um grande problema nessa situação: aquilo que nos protege de tudo, tambem é aquilo que nos isola de tudo. Acaba sempre aparecendo uma mentirinha ou outra para que a felicidade não leve um beliscão, nem que a pessoa em questão fique com beicinho por ser contrariada. E assim, acabam por criar uma ilusão de perfeição que não existe, e quando a pessoa, um belo dia, porque há sempre um belo dia, descobre que afinal as coisas não são bem assim... dá merda.

Raramente a pessoa que desperta para a realidade encara as coisas bem, fatalmente acaba se revoltando contra tudo e todos. Poderá aparecer um ou outro que, perante as vicissitudes da vida, queira dar seu contributo ativo para melhorar aquilo que está mal e errado. Porque a maioria, para apaziguar a consciência, prefere passar um cheque chorudo, fazer festas beneficientes, aparecer na propaganda da camiseta da ONG.

Pensem nisso... amor não pode ser egoísta, muitas vezes amar é fazer das tripas coração, abrir mão da pessoa que amamos e deixar ela dar umas boas cabeçadas na parede...

Fui.

Segunda-feira, Agosto 23, 2010

Vinho, Sexo, Liras...e Mitos


Uma das grandes raridades nesse mundinho V.I.P  do Olimpo era o fato de que, os filhos de Zeus, os que saiam das suas lambaças com as mortais... nunca eram deuses de verdade. Os coitados além de terem que aguentar a fúria da Hera, ainda por cima viviam naquela "meia vida" popular. Mais ou menos como os integrantes do Big Brother...são famosos por um tempo e por um preço.

O único que escapou dessa vida de semi-anonimato foi Dionísio. Bom, assim ninguém sabe bem de quem estou falando. Mas e se eu falar em Baco?? Pois é, os romanos, que basearam o seu panteão nos deuses dos outros, copiaram na integra a vida dos deuses e só trocaram os nomes. Baco ficou famoso mas na verdade era Dionísio quem começou tudo. E foi assim...

Era uma vez, o deus mais galinha conhecido (já sabem de quem estou falando né?) na face da Terra, que um dia, olhando lá de cima de uma nuvem viu uma beleza passeando pelos bosques. Mas... a beleza não só era filha dele, como também era cunhada. Tratava-se de Persefone. Bom, embora para nós seja absurdo e contra-natura a relação mais íntima de pai e filha, lá nos deuses..valia tudo. Não se esqueçam que Zeus era casado com a própria irmã, a ciumenta Hera.

Lógico que ele não podia chegar lá de caras pra faturar a cunhadinha, ia dar rolo com a Hera e com o irmão, Hades. Portanto, usando de uma das suas faculdades mais ardilosas, Zeus se metamorfoseou em serpente. Esperou a Persefone adormecer e... pronto. Daí nasceram as piadinhas idiotas de cobras e.. conotações fálicas. Mas o todo poderoso deus, além de galinha era muito fértil, e dessa união cretina (porque só uma trepada com uma mulher dormindo... é o cúmulo da estupidez) a Persefone ficou grávida do deus. Mas Hera, tinhosa como ela só, descobriu tudo. Escaqueirou tudo no Olimpo, os pratos só ficaram inteiros, porque eram de ouro, mas o resto...voou pelos ares. A sede de vingança da cornuda foi tão grande que ela instigou os Titãs à matarem o baby, de seu nome Sabázio. Os brutos não só despedaçaram a criancinha, como ainda por cima comeram as partes despedaçadas. Só restou o coração, que Atena resgatou e tristemente levou até aos seu pai. 

Zeus, triste que só, pegou nesse coração puro e inocente e resolveu que não ia ficar sem aquela cria. Como já andava de olho numa outra gata gostosa chamada Semele...bolou um plano digno de novela das 8. Não me perguntem a receita que eu não sei, mas com o coração do filho falecido e devorado preparou uma poção mágica. Cantou a gata com toda a sua perícia e depois... no conversa vai, conversa vem, ele deu de beber essa poção louca. E Semele ficou grávida. Hera, puta da vida, ficou sabendo de tudo e não ficou por meias medidas... dessa vez ia acabar de vez com essa história dos bastardinhos. Bom, Hera preside aos partos, sendo então patrona dessa condição, fazia os serviços pré-natais da mulherada nessa época. Resolveu então picar a Semele:

" Queriiiidaaaa, que sorte a tua estar grávida de tão ilustre persona. Já agora... você já viu como ele é na sua forma verdadeira?? Não????!!! Ô minha queridaaaa...você não sabe o que está perdendo..."

Mulher é um bicho curioso de nascença, aliado ao fato de estar prenha faz dela um ser mais ou menos caprichoso. Portanto, a Semele pediu, insistiu, fez olhinhos de cachorro que fez xixi no tapete...tudo pra ver Zeus no seu verdadeiro resplendor. E pegou Zeus... com a toga nas mãos.

A melhor hora pra conseguir alguma coisa de um homem ou de um deus... é quando ele tá pegando no sono, naquela hora que ele até promete ir com a gente às compras na 25 de Março na véspera de Natal. É batata, dá sempre certo. Primeiro enche de perguntas, massacra os ouvidos e depois de muitos sins e juras.. larga o pedido real. E foi assim que Zeus jurou pelo Estige (o mais sagrado do sagrado, nem deus jura em falso) que ia mostrar toda a sua glória verdadeira. Portanto, o deus de saco cheio de pedidos, querendo dormir...mostrou-se com toda a sua luz gloriosa...

Mas Semele era mortal e nenhum mortal pode ver ou estar diante do deus dos deuses e sair disto vivo. E a moça virou churrasco no exato momento que Zeus mostrou a sua figura esplendorosa. Aí o deus viu a cagada que fez...e das cinzas tirou o feto ainda vivo, mas somente com seis meses de gestação. Atrapalhado e sem outra saída, abriu um corte na coxa, acomodou a criança lá dentro, costurou tudo e a gestação continuou. Hera ficou toda satisfeita com o cheiro de churrasco de piranha e portanto, largou mão do caso.

Na devida altura, Zeus chamou o seu homem de confiança, Hermes, descoseu a perna, tirou de lá o baby à quem chamou Dionísio e disse pra Hermes arranjar uma família adotiva. Assim, o filho de Zeus, que pelo simples fato de ter sido gerado na sua coxa, deu razão a ser um deus, mesmo tendo como ascendência uma mortal.

Mas um dia, sabe-se lá como, Hera descobriu tudo. E foi dizer pro rapaz que era adotado... e começou um daqueles enredos bem puxados pro drama. O menino surtou, deu uma de revoltado...Hera aproveitou e deu uma substancia tóxica que o deixou malucão. Vagueou pelo mundo fazendo cagadas, xingando, só fazendo besteira. Até que por acaso chegou á Frígia e conheceu Cibele, que o levou pra casa, tratou dele, curou-o e deu rumo ao rapaz. Muitos de nós conhecem casos destas mulheres que pegam em tresmalhados da vida e tenta dar uma nova oportunidade. Segundo consta ela era uma reencarnação de Reia, uma das deusas primordiais, deusa da fertilidade, do ciclo vida/morte. Portanto deu uma nova vida à Dionísio. 

O rapaz começou a se interessar pela agricultura, principalmente pela vinha, uvas e vinho. Seus amigos, as ninfas, sátiros e centauros... eram da pá virada. A típica juventude despreocupada que só pensam em ficar embriagados, trepar e se divertir. Portanto, as festinhas do Dionísio eram de arromba, verdadeiras Raves intermináveis e bem loucas. De qualquer modo, Dionísio era um cara que até era bastante inteligente e não era nada metido a besta. Até poderia ser, afinal, era filho de Zeus né? O seu pai tinha lutado por ele...

Tornou-se a divindade de alguns rituais onde estar em transe (intoxicado, bêbado) fazia parte de tudo. Patrono da vinha, do vinho e da alegria geral, era um tipo bem disposto e com ouvido pra música. Tinha como divertimento maior assistir e ouvir as cavalices do rei Midas. Um "boa vida" que se dava bem com toda a gente. Em Roma, foram descritas muito bem as bacanais, as festas em honra de Baco e das quais se perverteu o sentido das festividades dionisíacas. Normal. 

Agora... 

Nos idos de 1970, por motivos não vou explicar mais do que necessário, um familiar meu se viu internado num hospital especializado em cirurgias plásticas. Um dos internados, era um homem a quem por acidente tinha ficado com um braço descarnado. Ficou mais osso do que carne. Portanto, para "regenerar" alguma coisa que permitisse mais tarde uma reconstrução...enfiaram o braço dele dentro da barriga. Mais ou menos a historinha de Zeus colocar o feto na sua coxa. Este mito, conheci um par de meses mais tarde, e sempre que penso em Dionísio... nunca penso em vinho ou festas de arromba. Penso naquele senhor, que andava com o braço enfiado por debaixo da pele da barriga até ao cotovelo.

E penso que os mitos.. se misturam demais com a realidade, e que muitas vezes...nem se sabe onde começa a realidade e acaba a ficção.

A vida é surpreendente...

Fui.

Sexta-feira, Julho 16, 2010

Sísifo ou o Si ferrou...


Cada vez mais a mitologia me mostra que isto de deuses e mortais é das alegorias mais bem feitas do mundo em que vivemos. Na verdade é sempre atual e bem colocado, desde que a gente tenha testa pra comparar as realidades.

Por isso,desta vez, vou falar de Sísifo, não o mito colocado pelo escritor Camus, que na visão dele só olhou pro castigo do  meliante, mas a minha visão pessoal.

Então é assim: Sísifo era filho de Éolo, deus dos ventos e de Enarete, uma mulher que não fez mais nada do que ser uma parideira profissional. Essa corajosa teve nada mais, nada menos, do que 12 filhos...
Mas Sísifo logo no berço começou a mostrar que era diferente das outras crianças... desenvolvia-se de uma forma vertiginosa e constante. Falava pelos cotovelos, bem explicadinho e não achava graça em brincar com bolas e bonequinhos. Ele pegava num pauzinho e rabiscava no chão. O pai pensava que ele ia ser um filósofo famoso e a mãe sonhava que ele fosse um romancista igual ao Nicholas Sparks e fazer a mulherada chorar mais que torcedor do Vasco.

Mas não, aquele menino nasceu com outra capacidade: a de sair de uma fria na maior moleza e apenas usando a cabeça. Quando eu falo que a inteligência é das maiores armas, ninguém acredita, mas é verdade.

Então Sísifo vivia na boa no seu reino, Corinto (que depois deu nome ao glorioso Corinthians) casado com uma mulher bonita e de boa linhagem a Mérope, uma das Pléiades, assim umas irmãs todas bonitinhas mas ruim de desencalhar, que depois viraram uma constelação.
Bom, como dizia eu, o Sísisfo vivia na boa no reino dele , quando um belo dia olhou pro céu e viu uma águia gigantesca levando nas garra uma mulher completamente descontrolada e gritando. No que bateu o olho na águia identificou de caras o deus mor da galinhagem : Zeus.

"Mais uma que o Boss vai faturar" pensou com as pregas da túnica

Nem passou 20 minutos e vem numa correria louca um grupo que ele sabia logo para o que era: estavam a procura da moça. Ora o pai da moça fazia parte da comitiva de resgate da beleza, Asopo de seu nome era um deus-rio e estava arrancando os cabelos de preocupação.

"Você viu passar por aqui uma águia enorme com uma moça nas garras? Por favor diga-me se viu...!!!" perguntou o pai consternado.

Sísifo pensou um bocado e aproveitando a aflição de um pai fez um acordo, o deus Asopo cederia uma das suas fontes à Sísifo e ele diria onde estava a ex-donzela (sim, porque Zeus já teria com toda a certeza comido a menina e a donzelice ido prás urtigas). O acordo foi feito e o reino de Corinto ficou com água pra abastece-la na boa.

Ora, Zeus ficou nos cascos quando soube que foi delatado por um merdinha de uma rei... porque ele ia  começar a segunda ronda quando o pai da moça chegou fazendo o maior escândalo. Logicamente, não queria que a gritaria chegasse aos ouvidos de Hera e deixou a ex- menina e moça ir embora...com um sorriso estúpido no rosto e meio bobinha. Ficou tão raivoso que mandou Tânatos (a Morte) ir buscar aquele safado e levar pra profundas do Hades.

Tânatos, que segundo se conta tem o coração feito de pedra fria e as entranhas feitas de metal. Por isso não faz distinção de quem merece ou não morrer. Bom, ordens eram ordens e com Zeus não se brinca. Aí Tânatos pegou carona com Apolo e foi buscar o infrator. Imaginem a cara que Sísifo fez quando deu de caras com a Morte. Deu aquele arrepio espinha abaixo, um suorzinho correu frio pela testa e analisou a situação. Olhou pra pinta de Tânatos e resolveu pegar onde ninguém poderia imaginar: elogiou a beleza da morte. 
Bom, tá certo, o Tânatos até nem era feio, tinha os olhos cinzentos e os cabelos da mesma cor, era jovem e tinha boa pinta. Mas como era a Morte, não tinha quem chegasse perto, fizesse um elogio ou convidasse pra uma cervejinha e um salgadinho lá no barzinho.

Elogiou tanto a aparência do mensageiro da morte que o rapaz até esqueceu o que estava fazendo ali.

"Nossa...olha como esse manto escuro fica bem com esse tom de cabelos e olhos...quem é teu estilista? Olha só pra essas asas aí cara...ficam mesmo bem nesse conjunto!"

Tânatos meio encabulado sorriu perante tantos elogios, deu uma voltinha e tudo pra mostrar toda a sua elegância e sobriedade.

"Sabe o que tá faltando aí?? Um colar pra fazer jus à tua majestade...acho que tenho um aqui que vai ficar legalzinho." disse Sísifo já bolando uma maneira de não morrer tão cedo.

E colocou no Tânatos uma... coleira. A Morte teve que passar a humilhação de se ver preso numa coleira como um cachorro vulgar. Sem poder fazer nada pra levar a alma desse safado filho-da-mãe desse cabra da peste do Sísifo.

Hades lá no cafofo dele estranhou a demora de Tânatos...passados tantos dias onde teria se metido aquele cara? Sempre foi tão responsável, tão cumpridor das suas obrigações... Pegou no possante dele e foi dar umas voltas e deu com uma fofoca que o deixou de olhar vermelho de raiva. Contavam que o rei tinha prendido a Morte com uma coleira...

Quando Hades entrou no recinto, foi logo estourando tudo e tirou a coleira da morte. Com a voz grossa e sem muita paciência, ordenou que Sísifo fosse levado pras profundas onde ia ficar eternamente. Tânatos muito envergonhado agarrou no espetalhão pra levar embora. Mas sem saber que antes, Sísisfo tinha cochichado pra mulher dele não enterrar o corpo depois de ser levado.

Então, a comitiva do Hades foi embora e o corpo sem alma de Sísifo despencou no chão. Tava mortinho da Silva.

Chegando na entrada das profundas, Sísifo usa da sua capacidade intelectual, vira pra Hades e diz:

" Ô Poderoso... olha pra aquela safada...olha pra minha mulher sem fazer a obrigação dela!!! Meu corpo ali no chão... eu um Rei feito titica de galinha sem as minhas honras fúnebres?! Isto é um escândalo, ela merecia ser assombrada né?"
Hades olhou pra o reclamante e concordou que por muito safado que o Rei tinha sido, era necessário cumprir com os ritos fúnebres. Sísifo aproveitou-se do fato de Hades ser um cara organizado e gostar das coisas bem feitas. E não é que o irmão de Zeus deu permissão pra que Sísifo voltar ao mundo dos mortais pra assombrar a Mérope por um dia?

Lógico que quando Sísifo se viu livre de Hades e daquele cachorro de 3 cabeças e bocas cheias de dentes...entrou de novo no corpo, ressuscitou e fugiu com a legítima para parte incerta.
Depois disso, viveu discretamente sem chamar muito a a tenção e foi criador de gado. Fez a sua fazenda do lado de um dos mais conhecidos ladrões, Autólico. 

Sísifo começou a notar um fenômeno interessante: quanto mais o gado dele diminuía e desaparecia, mais o do vizinho crescia e aumentava. Então bolou uma coisa bem inteligente. Gastou um dia todo escrevendo e cada casco dianteiro de cada cabeça de gado umas palavrinhas. No dia seguinte, mais umas cabeças de gado tinham sumido e Sísifo foi seguindo as palavras até à fazenda de Autólico. Logicamente o ladrão disse que não era nada disso, que ele olhasse bem, até tinham cor diferente e tudo...mas aí o Sísifo levanta a pata de uma das vacas e mostra o entalhe que fez: como um carimbo marcando o chão macio ficava escrito pelo caminho : "Autólico me roubou". 

Aí não teve jeito, atenuante nem nada... o ladrão foi preso e como reembolso de perdas e danos Sísifo recuperou o seu gado e ficou com o do ladrão. Bom, discretamente e sendo inteligente, este nosso personagem acabou por morrer de velhice como deveria de ser. Só que quando chegou no reino lá do fundo foi recebido como um rebelde, um James Dean do tempo clássico. Hades e a Morte bolaram um castigo pra esse safado fujão que levaria a eternidade toda a fazer: Levar uma pedra de mármore montanha a cima, mas... quando chegasse lá no cume despencaria de novo lá pra baixo. O castigo era essa e desperdício: levar a bola pra depois voltar a buscar lá de baixo.

Agora as versões: Eu li o Mito de Sísifo de Albert Camus, um dos percursores do Existencialismo, junto com Sartre e demais insatisfeitos. Ele no tudo só viu o lado inútil do castigo e comparou as inutilidades da nossa sociedade podre e inútil. Ele clamava por revolução, pra mudar o mundo. OK aceito embora não concorde com muitas coisas que diz no ensaio.

Mas na minha visão... vejo Sísifo de outra forma. Comparo os deuses com muitos governantes que não suportam , não aguentam que gente mais inteligente do que eles, apontem os pontos fracos dos seus governos. Mais ainda, há cada vez mais uma cultura baseada na ignorância. Manter o povo ignorante, iletrado, analfabeto, faz dele o escravo das necessidades destes governantes. Quem ignora o seus direitos não luta por eles, quem não luta é facilmente manobrável. E o que fazem estes governantes quando vêm as suas falhas exposta em público? Guilhotinam, aprisionam e sufocam quem tem dois dedos de testa para gritar bem alto as faltas dos grandes.

Essa é a grande verdade, esse é o grande lance. Enquanto se vive num país que cultiva a Novela da T.V, que direciona os jornais, que quer cortar o direito à palavra até aos blogueiros, dando cada vez mais ao povo a Bunda Music, o rebolado e Carnaval... é um país de gente mesquinha e ignorante. E ai! daquele com dois dedos de testa pra mostrar que somos governados por um fantoche...

Sísifo é a prova que os grandes, só o são pela força. Porque se aparece alguém inteligente e mostra que se pode vencer os deuses com a cabeça...o mundo seria outro. E isso aterroriza os grandes...


Fui.

Sexta-feira, Julho 09, 2010

Quando Teste de Paternidade de Zeus Ferrou Uma Ilha ou Os Mirmidons



Zeus, para variar, se agarrou numa ninfa. Ela de seu nome Egina (ela foi batizada com esse nome, porque  a mãe dela estava com soluços e não saiu o R de Regina... ficou Egina mesmo), uma gata lindona que foi a perdição do deus. Tal foi a paixão, que o monarca do Olimpo deu-lhe de presente uma Ilha... a Ilha de Egina. Romântico né? Romântico nada...foi pra moça ficar satisfeita e ter uma ocupação e passar desapercebida por Hera.

Assim Egina tornou-se rainha da ilha, com todos os afazeres de uma dona de tudo. Mas tanta paixão e fogo tinha que dar em algo... e deu. Egina esperava um filho de Zeus e nada do deus- pula-cerca aparecer, claro que o Rei andava a "comparecer" em outras paragens...
Mas ela deu um tempo, afinal, Rainha agora e futura mãe tinha mais o que fazer. Zeus na dele, ia comendo daqui e dali, lindo, leve e solto, sempre de olho na vigilância da Hera...enfim o costume.

O tempo foi passando, passando... até que num belo dia...

Hermes entra pelo palácio celeste com cara de caso, olha para o pai e deixa ver que tem uma notícia importante, mas confidencial. Zeus, meio desconfiado, arrumou maneira de sair do trono e dar umas voltas pelo Olimpo na companhia de Hermes.

"Pai...tenho uma coisa pra te dizer...lembra da Egina?"

Zeus ficou com o olhar pensativo...esforçou-se bastante pra lembrar dela...mas no meio de tantas mortais, imortais, deusas e ninfas.. um nome assim, não chegava.

"Lembra de uma ninfa, que o senhor deu uma ilha pra ela?"

Aí caiu a ficha na cachola de Zeus!!!! Claro, aquela coisinha gostosa...

"Lembro sim e daí?"

"Bom, ela me pediu pra te dizer que o senhor agora é pai de um menino chamado Éaco..."

Zeus ficou branco...caramba...outro filho?? Mas peraí... o caso dele com Egina foi...há bastante tempo!!

"Esse filho não pode ser meu, se fosse, seria já adulto!"

"E é adulto, agora é Rei da Ilha Egina, ela esperou que o senhor passasse por lá, fizesse uma visitinha pra contar disso. Mas como o senhor nunca mais foi lá, ela me viu passar e me pediu pra dar o recado."

Zeus ficou azul, mas não queira ceder, mais um filho? Mais uma fúria da Hera?? Ai meu pai... Então virou pra Hermes e pediu pra dizer à Egina que contasse outra história, que essa não ia pegar.

"Bom, ela me disse que se o senhor duvidasse, ela ia fazer um pedido ao tribunal celestial de um teste de paternidade."

Aí Zeus sentiu o braço formigando, falta de ar, dor no peito...um ataque de ansiedade. "Meus raios" pensou, "se a Hera desconfia, tô ferrado..."

Aí aceitou fazer um teste de paternidade, mas uma coisa bem discreta. Combinou com Esculápio um tipo de check up anual...tirava sangue e depois o Dr. fazia o teste de paternidade. Seria Hermes, no papel de mensageiro, que iria entregar o resultado do teste.

Passada uma semana, Hermes entra no Olimpo com cara de caso, olha pro pai com cara aflita e Zeus começou a ficar com o coração disparado. Já sabia que vinha o resultado do teste.
Foram pra uma nuvem longe do resto do povo olímpico e Hermes entrega o envelope pra mão de Zeus.
O que esses dois não sabiam é que Hera andava desconfiada do ar ausente de Zeus, " Hummmm...o que foi que  esse galinha andou aprontando??" pensou ela. "Vou mandar o pavão, meu pássaro consagrado vigiar esse calhorda." 
Bem dito, bem feito. O pavão viu o envelope passar da mão de Hermes pra mão de Zeus, viu o Monarca abrir de mãos tremulas e ler com a cara cada vez mais lívida o conteúdo.

Zeus teve ali a confirmação de que Egina falava a verdade...e pediu por tudo quanto era sagrado à Hermes pra nunca mais tocar sequer no assunto, Ele mesmo mais tarde faria uma visita à Ilha. O pavão dedo duro foi contar tudo pra Hera. 

"Então tem um envelope...o que terá lá escrito pra o assustar tanto??"

Zeus chegou no Olimpo com a maior cara de pau, fazendo de conta que o dia estava lindo...e foi tomar banho. Hera assim que o deus entrou no banheiro... foi procurar na túnica o tal do envelope. E quem procura acha...encontrou o dito. Abriu e leu. Primeiro ficou branca, depois começou a passar do rosa pro vermelho tomate... de raiva!!!

Assim que Zeus saiu do banheiro foi recebido com romãs na cabeça e uma chuva de insultos, a deusa tava possessa de raiva, dominada pelos ciúmes atirou tudo o que encontrou em cima dele. Não contente com isso, virou a sua fúria par os habitantes da Ilha Egina.

Tamanha foi a praga que rogou à Ilha, que os poços secaram, a terra se tornou improdutiva, os animais tombavam fracos e doentes, os habitantes morriam em agonias de dor e sede...e isto durou quatro anos.
Perante tamanha tragédia, Éaco pegou no celular, telefonou pra Zeus e pediu:

"Pai, você que é tão poderoso...acode este teu filho, ajuda-me ou então mata-me , porque não consigo ver mais esta Ilha morrendo!"

Zeus, que era um coração mole, que nunca desprezava os seus filhos, pensou numa maneira airosa de salvar a situação. Primeiro, deu dois berros bem grandes e calou Hera. Já chegava de mortes de inocentes. Tá feito.. tá feito!
 Depois, mandou um raio que caiu num carvalho, esta árvore estava infestada de formigas que iam levando a sua vidinha de trabalhadoras e fortes sobreviventes. Com a sua magia transformou essas formigas em pessoas, que mais tarde foram chamadas de Mirmidons (mymex é o nome grego pra formiga), o exército de Zeus.

Assim as pragas foram levantadas, a Ilha repovoada por estas formigas metamorfoseadas e a vida seguiu seu rumo. A Ilha Egina voltou a florescer e os mirmitons foram valorosos soldados que lutavam sem descanso, sem fome, sem sede. Tal como as formigas não tinham vontade própria e viviam em unidade. Eles eram tão bons que foram levados para a guerra de Tróia, porque lutavam para ganhar sem descanso.

Moral da história.

Quem pula cerca...usa camisinha.

Fui