Vamos lá refrescar a memória aqui neste post::
Escrever ou falar de mitos é mexer com as tradições de um povo, por isso, invariavelmente, mexer nisso é mexer na cultura e também na religião. Vai saber a razão, a religião de cada povo é parte da sua cultura e respeitada ao ponto de fazer parte da sua história. Porque muitas vezes tomadas de posição um pouco duvidosas são feitas a partida de preceitos religiosos.
Podem começar pelos Aztecas, Incas, Inuits, Nórdicos, Hebreus ou Islâmicos. O resultado é sempre o mesmo, há que punir quem não faça parte do "clube da verdade", porque "os deuses" ou "deus" disse isso. Disse assim na lata e na maior descontração, um pai que escolhe filhos e facções para se fazer valer poderoso.
Na minha cabeça, eu sei... uma bagunça completamente louca, fomos nós, sabedores que há lá em cima uma energia criadora, que resolveu fazer uma penca de leis e ordens morais a que chamamos religião. E pela lógica, um ser que é criador, que o faz por amor à criação, não se lembra de, num dia que acordou com o bofe virado, olhar aqui pra este lado e...toma aí um castigo. Assim, sem mais nem menos. E que raio de pai este, criador, que ama a sua criação, resolve dar data limite de validade à sua criação????
TODAS as tradições falam do fim do mundo, sem exceção, por muitos milhares de quilómetros de distancia, por muitos milênios de separação, todos falam num "acabar do mundo em chamas e sangue".
Fomos nós, lá no comecinho da vida e do pensamento humano, quando começamos a olhar lá pro alto e ver que o disco solar desaparecia no horizonte dando lugar à dama de prata lunar, acompanhada do seu séquito real de estrelas... deixamos a mente divagar e tomamos como forças superiores que velam a nossa solidão interna. Porque aqui dentro, no meio de tripas e sangue há algo sempre um bocado solitário e querendo colo. E aí nasceu a fé, essa inexplicável força de vontade, que faz escolher aquilo que nos manda pra frente. A fé de que algo ou alguem superior que vela por nós, que muitas vezes nos castiga sem razão, que nos esquece...e nós, feitos uns bebês chorões, andamos a mendigar a sua indulgencia e bênção.
Porque nós criamos essa historinha toda de deus, e fizemos esse deus à nossa imagem e semelhança. Vingativo, prepotente, parcial (se ele escolhe o povo...é parcial), lascivo, promíscuo, invejoso e arbitrário. Vá... peguem qualquer tradição ou mitologia, nela estão os deuses a fazerem as mesmas cagadas que nós, os mortais e fracas criações. E não me venham já dizer que isso é resultado de uma má religião ou falsa (esta é para os cristãos) porque deus olhou pro lado, quando o rei David cobiçou uma mulher casada, mandou o marido pra pior frente de batalha, pra ele morrer e poder seduzir a viúva. Ele nem esperou saber se o marido dela morreu ou não, entrou com tudo e comeu a gata na mesma.Portanto, se deus esquece umas coisas ( posso enumerar mais um monte delas... olha as filhas de Ló...) e cai pesado noutras...é a nossa imagem mesmo.
Tudo bem, eu vejo as coisas assim, então como é que eu encaro a religião e fé? Não sou dotada de nada nem me revejo em nada?? Bem, a lógica muitas vezes parece estranha e fora de lugar, mas acredito sim numa força superior à nossa e que apenas faz isso: cria. E dá o o maior presente que podemos ter: o livre arbítrio. Isso significa que somos criados e deixados aqui diante das nossas escolhas pessoais. Nós fazemos aquilo que em retorno poderá ser o céu ou o inferno. Acredito na imortalidade da alma, que voltamos muitas vezes para aprender, cada um na sua maneira própria de escolhas, a saber o certo e o errado.
Em cada momento conturbado e perdido na nossa longa história humana, tivemos grandes mentes, os que eu chamo de "Iluminados". Uns, no velho facilitismo ignorantão ganharam o nome de filho de deus ( mas que porra! se somos todos fruto da criação do ser superior, somos todos filhos dele né?) e foram e são muitos...
De Budha à Krishna, de Confúcio à Maomé, de Jesus à Dalai Lama, pessoas esclarecidas e com uma visão mais alargada do que é ser um ser humano deram pistas de uma forma de vida saudável. A base sempre foi a compaixão, o amor ao próximo e a humildade. Virem isso tudo na mão de quem procura o poder sobre os ignorantes e transformam isso tudo numa religião castradora, ofensiva à vida e prepotente. E isso somos nós agora: pessoas num mundo moderno, cheio de cultura mas ainda com a mentalidade do tempo das cavernas. Comer, lutar, procriar, ambicionar e matar. Pouco mudou. E tal como a maior parte dos ignorantões que andam por aí a acreditar que o mundo se acaba em 2012, brincam com as coisas sem se darem conta de uma coisa. O calendário Maia apontava que até 2012 o mundo acabava. O povo naquele tempo, acreditava que o mundo era aquilo tudo que eles conheciam e conheciam manifestamente pouco. E é verdade.. o povo Maia, tal como existiu... desapareceu. Embora com umas largas centenas de anos antes (erros em matemática eu perdoo, nunca me dei bem com os números mesmo), a verdade é que foi o fim para eles.
Por esses motivos todos aí em cima, por causa da minha visão pessoal das coisas, (reforço sempre aqui a minha visão e cunho pessoal e nada mais) escrevo estes posts sobre mitologia, porque eles são mesmo assim. Tirem a aura de magnificência, tirem o resplendor e a adoração... são uns boçais e malucões como nós.
Fui
