Por motivos que nem vale a pena explicar, andei fugida mas não inativa, trabalhando muuutio, lendo demais e ensaiando novos assuntos aqui pro blog. Jamais deixaria de lado este espaço que foi o primeiro onde comecei as minhas andanças "escrivinhadoras". Apenas dei um tempo para encontrar novos mitos, e nas lendas arturianas tem um monte delas...mas fugindo um bocadinho das arturianas e mergulhando de cabeça na mistura interessante da História em si com o mito, vem a tristemente célebre Rosamund Clifford, mais conhecida por Rosamund Fair (Rosa do Mundo a Fada).
Em Gales, lá pelos idos de 1150 (sim, a data é essa mesma) um pequeno choro ecoou na casa do casal Walter e Margaret, anunciando a chegada de mais uma filha.
A menina quando nasceu era uma de uma beleza angelical tamanha, que os pais todos babados resolveram dar-lhe esse nome pitoresco: Rosa do Mundo ou como no dialéto lá do burgo se dizia Rosamund. Embora tivesse mais três irmãos e duas irmãs... ela era super mimada. Nada de correntes de ar, nada de brincar na rua com as amiguinhas, pular era absolutamente proibido e dada a natureza pacífica da menina... ela cresceu como um lírio - bela, delicada e muito suave.
Obviamente que com o passar do tempo, tamanha candura (para não dizer que moça era uma mosca morta) era cobiçada por diversos pretendentes e muito guardada pela família. Tantos dotes de personalidade, a ascendência imaculada, a sua devoção pelos santos, caridade e deus...bom, ninguém poderia supor que a menina fosse fazer algo de errado. Pelas contas do seu pai, ele encontraria um bom partido para casa-la e conseguir tornar maior o nome da família. A mãe por outro lado, via na filha mais uma infeliz sem espinha dorsal, que ia fazer todas as vontades do marido, levar porrada de criar bicho e ainda ia chama-lo de "meu senhor" conforme o costume da época. Aliás, o normal naqueles tempos era um homem se casar( homem.. bem, discutível, tivesse já 15 anos, título e fortuna e já tava em idade casadoura) , e depois de consumado o casamento, voltar para a ou as amantes... normal.
Mas como ia dizendo, a mocinha calada e quieta, o nenén da família, que passava a tarde lendo, com o MP3 ligado nas orelhas e ouvindo música classica, mal dizendo uma palavra que fosse, na verdade era justamente o inverso. Porque? Simples, toda menina ou mulher que parece que não parte um prato, que é muito boazinha, muito anja... na verdade é uma depravada enrustida e pronta pra sair do armário. Toda menina e mulher que foi constantemente reprimida, um dia, a válvula de segurança estoura de vez... e foi o que aconteceu com ela.
Nessa altura, a França e Inglaterra, para variar estava um zonão, lutas pelo poder... maior bagunça, lutas pelo poder? Vigi... parecia o nosso Senado. Valia tudo, até arrancar olhos... literalmente. Henrique II Plantageneta, que herdou a bagunçada Inglaterra era um tipo de homem que chamava a atenção: aquela coisa normal que salta a vista da mulherada: meio selvagem, perigoso e de poucas palavras. Não precisava muito... um olhar era suficiente pra mulherada começar a ficar cheia de calores, palpitações e muito convidativas. Por onde passava... bem deixava rastro. Era bonito? Não, não era uma beleza por aí além, mas tinha uma presença do catano e isso meus senhores... contam muitos pontos. Aquele ar de segurança, que não se abala com nada e com CABEÇA funcionando em pleno, faz mais conquistas do que meio palminho de cara, e um carro último modelo.
Daí que quando Henrique foi botar ordem naquele zonão em Gales...Rosamund viu-o pela janela... por acaso, nesse dia o Henrique vinha enlameado, mas com uma aura tão viril, tão senhor de si, que fez a Rosamund sentir calores onde nunca tinha sentido antes. Como o papai dela era um homem muuuito importante (mais ou menos um tipo de Coronel do Sertão), Henrique iria ficar hospedado na casa dele, e aí minha gente... a coisa rolou...
Rosamund assim que soube que ia estar na presença do Rei ao jantar, mandou a aia de folga, num repente fez a sobrancelha, depilou tudo aquilo que encontrou demasiado "arbustivo" (pernas, axilas e...pois... também) tomou um banho com pétalas de rosa, e foi buscar as meias de liga, a lingerie que comprou às escondidas dum candongueiro, pegou no melhor vestido e desceu o decote... e se preparou para a caça...
Obviamente não ia dar bandeira na frente dos pais e dos irmãos, portanto, num assomo de astúcia, colocou um xaile preso de forma estratégica de modo a deixar ver quando lhe apetecia mostrar, a qualidade da fruta dela. :)
Henrique assim que bateu o olho nela babou... o cabelo ondulado e longo, a pele branca e sedosa.. os olhos verdes como a floresta e a boca voluptuosa e vermelha (de tanto que ela mordeu os lábios) e pra arrematar.. aquele ar angelical. Bem, como eu disse antes, Henrique tinha cabeça, era um ótimo estratega, mas era homem. E quando viu a Rosamund, a cabeça de cima desligou e a cabeça de baixo ligou total! Não perdia cada movimento dela...uma inclinação que mostrava um tantinho de um seio, a forma como ela mordia a uva, os olhos sonhadores... e esse conjunto mexeu com ele. Porque há ainda uma certa fantasia em muito homem em "querer ensinar coisas divertidas" às mulheres que, pensam eles, coitados, que são inocentes.
Quando chegou a sobremesa...Henrique já não ligava porra nenhuma à conversa social e ficou paradão na Rosamund. E quando a danada lambeu os lábios e chupou os dedos cobertos de doce de amoras... bem aí a coisa ferveu. O Rei disse que tava cansado, precisava recuperar energias e tals... e foi pro quarto. Logicamente todo mundo fez o mesmo pra não fazer barulho, deixar o Sr. Rei dormir o sono dos justos...mas a Rosamund já tinha o plano todo feito. Ao despedir-se de Henrique, fez uma profunda vénia e deixou visível aos olhos do Rei o decote com um crucifixo entalado entre os seios... e o poderoso Rei tremeu nas bases.
Na calada da noite, enquanto meio mundo roncava e babava o travesseiro, Rosamund mostrou ao Rei a Pomba-Gira que vivia nela e deixou o Monarca completamente preso por ela. No dia seguinte, sem mais delongas, Rosamund fez a sua trouxa e seguiu o séquito real. Para grande consternação da família... tornou-se Teúda e Manteúda do Rei Henrique II. A mãe, de bobis e ainda com o creme de noite na cara gritava por deus e pelos anjos. O pai... bom, de queixo caído, fazia contas do estrago e de menos um dote a receber e dar. Rosamund, com um arzinho petulante jogou um olhar de : "se liga gente, a vida é minha e faço o que quero".
O leitor agora poderá pensar que ela ficou num bom apartamento, rodeada de luxo, com cartão de crédito ilimitado...um Platinum. Pois foi, ficou bem na vida... mais ou menos. Ficou numa casa meio escondida na floresta de Woodstock, mas as visitas do Rei... meu, muito poucas. É que por força das circunstancias, ele tinha que se casar com alguém de linhagem nobre, e calhou de Leonor de Aquitânia estar disponível. Divorciada e com dois filhos, poderia-se dizer que seria uma tremenda besteira, mas Leonor era dona de quase metade da França. Aí os escrúpulos vão pra gaveta e há casório. Tudo muito fino, sem cascata de camarão, sem escultura de gelo, mas muito fino.
Então imaginem.. Henrique tomando conta de tanto território, França e Inglaterra, mulher e amante... tempo?? Tudo contadinho ao segundo. Largou a Rosamund? Não.. segundo consta ela era o amor da sua vida, e da mesma forma, Rosamund nunca procurou ninguém, nem teve ninguém nas "horas vagas do Rei". E dizer que eram horas, seria elogio. Haviam par de anos que ficavam sem se ver. Uma amada amante na prateleira, odiada pela legítima (que não parava de ter filhos, entre eles João Sem Terra e Ricardo Coração de Leão). No total, com Henrique, Leonor teve 8 filhos... meu, o cara andava só de catuaba, gemada de ovo de pata e muito guaraná!!! Guerra, mulher esfomeada e ciumenta e amante Pomba- Gira... era preciso ser um cara cheio de competência pra aguentar. Só que chegava uma hora que fica complicado.. e Rosamund ficou de lado. Pegou depressão...chorou feito chafariz, deixou de comer... até que resolveu entrar para um convento. Toda gente sem noção, perdido na vida, sem rumo e opção, pensa que ir pra um convento resolve tudo. Esquecem um lado absolutamente importante: VOCAÇÃO!
Dizem as más línguas, que Leonor não ficou nada satisfeita de andar com galheira na cabeça além da coroa. Resolveu acabar com Rosamund e mandou incendiar o quarto dela no convento. Outros dizem que passado um ano de convento, Rosamund morreu de tristeza. Cá pra mim morreu foi de tédio.. isso sim!
Moral da história: nunca avaliem uma pessoa pelos modos sociais. Nunca rejeitem um mosquinha morta, aquela bibliotecária toda arrumadinha e de coque, óculos fundo de copinho de pinga... é um vulcão contido. Há muito mais dentro do livro do que a capa pode transparecer...
FUI!

4 comentários:
Já não era sem tempo!
Fartei-me de rir, especialmente a parte da menina k não podia brincar, saltar, etc. fiquei imaginando a Penélope.
Mas, mais uma vez se confirma a minha teoria: k as sonsas (e sonsos, k os há cada vez mais) são mesmo os piores.
E faz favor de não estar de folga tanto tempo.
Jinho
P.S. E as santinhas também, não é? Eh! Eh!
Minha santinha... palavra de honra que eu estou meio embrulhada em tantas coisas pra escrever. São os blogues, é o livro...fora a vida normal que tenho. Mãos tenho só duas, mas vou ver se passo mais tempo aqui no Verdades, se acabo a saga do Artur (que aliás era sobrinho de Ricardo Coração de Leão)... e concordo contigo!
Prefiro encarar uma (desculpe a palavra) uma vaca do que uma sonsa... as sonsas são as personagens mais maquiavélicas que já tive a oportunidade de conhecer.
Jocas e aparece!
Aqui esta uma sonsa a falar, e concordo que quando a pomba- gira desce, nao há esperta ou vaca que me ganhe, rsrs a certinha ta malvada hj! hehee
Certinha/sonsa... cada um fala por si né?
Beijo
PP
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