Terça-feira, Outubro 27, 2009

A Lady Pelada



Contam as lendas que uma senhora viúva chamada Godiva casou com um homem poderoso, um tal de Leofric, um anglo-saxão sedento de poder, dinheiro e glória.

E então, pra poder ser um vilão poderoso como mandam as regras, carregou o povo de Coventry de impostos. Mas uns piores do que outros, cada vez mais pesados e difíceis de pagar.

A tal da Godiva, penalizada pelo sofrimento do povo, resolveu ter uma conversa séria com o maridão e pedir alguma indulgencia nos impostos.

Mas o cara não estava disposto a largar um mensalão tão bom, assim, de mão beijada. Então ele resolveu, pensando ele, de forma engenhosa, colocar a Godiva numa saia justa.

-Ok, eu baixo os impostos...mas com uma condição!

- E qual é a condição? perguntou Godiva, já meio desconfiada

-É simples, basta que você desfile nas ruas de Coventry peladona...

-PERAÌ!!! EU PELADONA??? NA RUA????

-Então??? Qual é o problema?? Se quer ajudar os seus pobrezinhos como a Evita Perón, vai ter que fazer um sacrificiozinho né??

-Eu??? Evita Perón?? ô seu lesado mental... estamos no século primeiro da Era de Cristo!!! Bebeu de novo até ficar vendo coisas...

-Caguei...é pegar ou largar, o negócio é assim mesmo.

- Nem posso usar um tapa-sexo??

-N-A-D-A!!! Peladona mesmo

Aí, Godiva respirou fundo, se ajeitou e pensou numa saída pro problema. E aceitou a condição do marido, mais não fosse pra poder tirar uma da cara dele.

- Ok - disse ela- temos acordo!!

Aí, Leofric, começou a coçar a sua cabeça piolhosa, pensando se a tinhosa a Godiva ia mesmo ou não sair peladona nas ruas da cidade.


Lady Godiva mandou espalhar pela cidade, que na condição de o povo ficar dentro de casa entre as X e as tals horas do dia tal, ela ia salvar o povo da miséria. E não poderiam ir à janelas, nem bisolhar pra fora.

E no bat-dia, na bat-hora programada, saiu Lady Godiva esplendorosamente vestida de cabelo (na cabeça, sovacos e entre pernas)  em cima de um cavalo branco. Percorreu as ruas desertas de Coventry, embora um voyer ocasional tenha espreitado pelo buraco da fechadura e ficado cego instantaneamente.

Aí, não teve como, Leofric teve que baixar os impostos, dar o braço a torcer da cagada que fez, e ter mais respeito pela inteligência de sua amada esposa.

A moral desta pequena lenda é que, quem deseja realmente o bem dos outros, deve se despojar das suas riquezas. Por isso, obrigar uma Lady, sair de casa nua, sem suas ricas roupas, sem suas jóias era uma prova de despojamento material. E que é preciso fazer alguns sacrifícios pessoais para mudar o que está errado.

E se a gente pensar bem, ao invés de ficar chorando pelo que não tem, pense em quem nada tem. E tire umas poucas horas da sua semana pra fazer serviço voluntário pela sua comunidade.

Passar cheque, não resolve tudo. Fazer passeata, tambem é muito pouco. Conheça realmente os problemas que fazem parte da sua cidade, bairro, rua. Muitas vezes, por muito pouco que se faça, o retorno é muito gratificante, mesmo que nem sequer se aperceba.


Fui.

2 comentários:

Maruja disse...

Olá,olá!
Já conhecia a história da Lady Godiva aproveito para te dizer que concordo exactamente contigo: passar cheque não é sentir compaixão pelos outros, é apenas uma forma de nos sentirmos menos pesados das nossas obrigações face ao mundo difícil em que vivemos. Desde que comecei a fazer voluntariado com idosos, quase todos os meus amigos me dizem que gostariam tb de ser voluntarios. Mas até hoje nenhum deu o passo em frente. De facto é chato deixar de ir a um cinema e jantar fora para passar umas horas com uma pessoa mais velha e solitária, que só precisa de quem a ouça. Já não há muitas Godivas deste lado do Atlântico...Talvez ai no Brasil a postura das pessoas seja diferente...

Penélope de Kvar disse...

Preguiça e egoísmo é um mal geral que não carece de nacionalidade, cor, status social, sexo ou idade. De maneira que, embora se fale muito do voluntariado, pouca gente despende de umas horas por semana para esta causa. Seja desse lado do Atlântico, seja deste. O que se faz ainda é muito pouco. Mas ainda bem que vc vê a vida de uma forma assim construtiva .

bjo