
Depois de ler o blog da Dora e depois de ter "falado" com ela via msn, onde ela estava entre o revoltado e o divertido, lembrei de umas coisas.
A gente sabe que essa coisa de artista, tem sempre um lado meio podre mesmo, essa coisa de vender/vendido que chega a ser nojento mesmo. Faz-se quase tudo pela grana, glória e sucesso.
Mas mesmo assim, aqui o povo continua acreditando que eles fazem tudo pelo amor à arte. E quando vê umas coisas dessas, esses micos que se pagam pra aparecer, a gente se sente roubado.
Já pra não falar nos preços dos Cds, dos Shows e todas essas coisas. E a fatia maior, vai pra quem promove, não pra quem cria e apresenta. Esses, os que criam, não encontram outra saída que não seja espremer os fãs até à miséria.
E a gente se pergunta, será que não tem ninguem dentro do meio artístico que se revolte, que não veja, que não perceba que o roubo é dos dois lados? Quem promove rouba descaradamente quem faz e quem faz rouba quem aprecia?
Lembrei então de um cara que teve peito e coragem pra dizer o que pensava: Trent Reznor, líder da banda Nine Inch Nails, que por sinal foi escravizado, espremido pelo senhores da UMG.
Ele se revoltou com os preços que a dita empresa colocou os CDs para venda na Austrália, e em 2007, num concerto nesse país, chegou ao ponto de pedir aos fãs que roubassem as músicas e dessem aos amigos. Um verdadeiro Robin Hood dos artistas. Alguem com coerência suficiente (apesar de ter andado uns tempos no mundo das drogas e pensando que era vampiro, mas agora tá recuperado) de ver que seguindo essa linha de vida ninguem ganha, só a UMG.
Manegers, agentes, promotoras, gravadoras são todos uns cafetões de primeira água. Mas na verdade tem que se preste pro serviço né? De se deixar vender, de se prostituir.
Dinheiro, poder e fama tambem são uma droga.
Me dá raiva sinceramente quando escuto as exigências desse povo que se acha a 5º maravilha do universo: não comem comida processada, ou são vegans, ou exigem água de iceberg. E depois enchem as ventas com cocaína misturada com giz, talco ou outra merda qualquer. Dá pra entender? 50 cent, que sempre foi um pé rapado, um marginal tem uma lista de 3 páginas de exigências. E o povo vai na dele.
Vocês acham realmente, que um artista que goste daquilo que faz de verdade tem esses xilikis, essas manias? As Britnéias da vida que cobram uma porrada de dinheiro pra show e depois finge que canta? Ou então A Amy, podre de bêbada, caindo no palco, dando tiro no próprio pé e cobrando pra isso?
Das duas uma, ou os artistas tomam noção daquilo que fazem e são ou os fãs começam a ter um pouco mais de respeito por si mesmos e comecem a exigir aquilo que se exige quando se paga por um serviço: qualidade e profissionalismo. Se você for num restaurante e for mal servido vai reclamar e exigir ser compensado por isso né?
Então tá na hora, desses que se acham artistas começarem a ser bons profissionais e pararem com tanta frescura. Nem vou falar daquele pamonha que reclamou dos artistas que colocam as suas músicas grátis na Net, dizendo que a arte dele não tem preço e por isso não pode dar. Meu, se o preço é muito alto, guarda no cofre, ou então melhor ainda , enfia no esfíncter anal* que fica bem guardadinho.
Só podia sair da boca de um artista brasileiro, que felizmente só é conhecido aqui mesmo.
Cada vez que eu vejo o que a fama faz com as pessoas, a forma como se matam aos poucos com drogas e porres monumentais, me pergunto se vale a pena isso tudo. E não dá pra aprender com os erros alheios? E cada vez mais, cresce a minha simpatia pelo pirata.
Vendam os Cds mais baratos, vendam os DVDs mais baratos e garanto que a pirataria acaba.
E que eu saiba, caixão não tem gaveta.
Sempre pensei que para os artistas, a grande recompensa fosse o carinho do público e as suas palmas...
Fui.
Ps: * é no cu mesmo, mas como a minha mãe fica chateada quando eu uso este termo, procuro ser mais seleta. Mas apesar da mudança de nome a geografia é a mesma.
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