
Vou começar desancando no Pessoa, que é dos mais lidos poetas da língua portuguesa em todo o mundo, mas aqui pra Pepê, não vale essa conversa toda. Dono de mil personalidades, que vendo bem raia a esquizofrenia, sofrendo de sérios problemas etílicos, segundo más línguas um gay ainda no armário. Sem nada contra isso, gosto de Oscar Wilde, gay assumido.
E nem sequer falam de Florbela Espanca.
Pode-se dizer que ela nasceu com má estrelinha. Nascida com o nome Flôr Bela de Alma da Conceição, filha de Antónia da Conceição Lobo, empregada doméstica de João Maria Espanca e senhora....já deu pra entender né? O patrão comeu a empregada, nasceu a menina em 8 de Dezembro de 1854. Quando a mãe dela morreu em 1908 o "pai - patrão" e senhora resolveram tomar a educação dela a seu cargo, embora que o velho só muito depois da morte de Florbela a tenha reconhecido como filha.
Se não sabem, ficam sabendo que ela foi uma das primeira famigeradas feministas em Portugal, mas sempre se regeu por datas....
Cursou Letras, e logo a seguir entrou pra Faculdade de Direito em Lisboa, sendo ela a primeira mulher na época a entrar nesse curso.
Nascida ainda na monarquia, e vivendo depois em plena República, Florbela teve uma vida inquieta demais. Casou-se por 3 vezes, a primeira no dia de seu aniversário em 1913, sofreu sempre com o estigma das mulheres separadas.
Depois de um aborto espontâneo em 1919, ela começa a apresentar algum desiquilibrio mental. Separada após este infeliz acontecimento, voltaria a casar , mas mesmo assim, a vida não lhe sorriu.
A morte do irmão Apeles, derrubou de vez a fraca estrutura emocional de Florbela, e que segundo as más língua, ela tinha um tipo de amor incestuoso não consumado com o Apeles.
Tentou o suicídio por duas vezes em 1930, tamanha era a sua depressão, e quando descobriu que tinha um edema pulmonar, resolveu matar-se no dia 8 de Dezembro de 1930.
Sua obra repleta de feminilidade e sensualidade foi um marco para época, embora a melancolia andasse de braços dados, principalmente na última obra Charneca em Flor (nome cheio de significados).
Uma alma poderosa, atormentada, genial, feminina e rebelde. Esquecida e mal compreendida ainda hoje pouco conhecida e lida.
Vão lá na biblioteca do seu bairro e procurem um livro de Flor Bela Espanca....